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No limbo da violência

5 ago

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Quanto menos educação um povo recebe, mais alienado e propenso a tornar-se estatísticas negativas ele está. País sem cultura reflete uma base incondicional de alimentação de cidadãos sem um norte; não se sabe para onde deve rumar. Por esse viés, a maioria das cidades do Vale do Paraíba sofre com o aumento da violência.

            Não há uma semana sequer que não ouço alunos reclamarem que sofreram assaltos à mão armada, inclusive muitos casos com agressões e humilhações que os cidadãos de bem não merecem passar. Se refletirmos um pouco, podemos perceber que as cidades do Vale do Paraíba vivem um momento de crise no âmbito da segurança – é claro que não há maestria na gestão dos princípios básicos expostos na Declaração dos Direitos Humanos Universais.

            A sensação de impunidade e a certeza de que o criminoso ou infrator, caso seja um menor de idade, nos tornam reféns da própria existência. O estado de alerta sempre presente em nosso cotidiano nos torna pessoas menos humanas no sentido mais amplo da desconfiança.

            Viver deveria ser uma recompensa pelo esforço despejado no trabalho e não uma sequência de tentativas de sobrevivência. Parece que os crimes estão cada vez mais banalizados e que os valores morais estão se perdendo segundo por segundo. Saímos de casa com medo e este sentimento nos impede de fluir harmoniosamente.

            Quando afirmo que os valores se perderam, reitero que, se um cidadão de bem sofrer um assalto, sobreviver e ter o psicológico abalado, quem receberá auxílio do governo será o bandido, caso seja preso. A vítima não recebe nem um telefonema de qualquer assistente social para oferecer algum apoio.

            Não vou cair no lugar-comum e afirmar que a causa de tudo isso é a falta de educação de qualidade. Vejo que toda essa problemática é fruto de administrações públicas extremamente incompetentes que não conseguem gerenciar os mínimos padrões de qualidade para a população.

            Vivemos atrás das grades enquanto os gatunos passeiam pelas ruas sem qualquer sentimento de culpa, agindo como vermes vorazes pela carne. Ao que parece, não há volta. Caímos no limbo que está no fundo do poço. Difícil será sair dele e, caso consigamos, será ainda mais complexo nos limparmos de tanta sujeira acumulada com o tempo.

Mundo cão

28 jan

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Estou cada vez mais pessimista em relação ao futuro do país. Em todos os setores, não há perspectiva positiva. Diminuição de verbas na educação, falta de água e de energia, tabela do Imposto de Renda congelada, saúde falida e a segurança à beira do caos.

          Dia 10 de janeiro, fui para São Bernardo do Campo visitar minha irmã e, depois, renovar meu visto para os Estados Unidos. Nem bem desci do carro, às 15h45min, na porta da casa dela, um bairro nobre, e já fui abordado por dois marginais numa moto. Como não vi a arma, pensei em reagir, mas, no segundo passo, o carona já sacou uma pistola prateada e apontou para mim. Minha única reação foi entrar na linha de fogo e proteger minha mãe. Em 30 segundos, levaram meu carro, dinheiro, roupas, documentos e minha dignidade.

          Muitas pessoas me dizem para eu agradecer, pois estou vivo. Confesso que é um bom mantra, mas como aceitar o fato de viver encarcerado na minha própria liberdade? Demorei 10 anos para comprar um carro mais confortável para dois marginais o levarem em poucos segundos. Tinha seguro, mas e a hombridade? Eles sapatearam nos meus esforços de anos de trabalho.

          Passado o susto, eu temia que essa violência chegasse até nós, moradores do pacato interior paulista. Não demorou muito e já fiquei sabendo de assaltos à mão armada em Cruzeiro e que a mãe de um amigo querido havia levado um tiro à queima roupa numa tentativa de assalto; ela estava caminhando pela manhã.

          As cidades do Vale do Paraíba sofrem com a falta de segurança proveniente do descaso político em todas as esferas. Não temos a quem recorrer. A polícia pode até prender, mas a “Justiça” manda soltar. Se for menor de idade então, a detenção não dura muito. Os coitadinhos merecem atenção especial do Estado. Nós não!

          E se o indivíduo for preso o Estado ainda paga para ele quase R$ 1 mil, mais auxílios jurídico e social. O trabalhador comum, que sua para levar o sustento para a família, recebe um salário mínimo. Isso é Justiça? Está certo? É moral?

          O pior de tudo é que a nossa líder máxima, Dilma Rousseff, sapateou pedindo clemência para que o traficante brasileiro não fosse executado na Indonésia. Todavia, nunca percebi que a presidente tenha feito isso a favor de uma vítima aqui do Brasil. Vítima na maior acepção da palavra. Ou eu sou ignorante, ou os valores se inverteram. Vamos viver cercados, enquanto os larápios andam por aí. Rezemos para a nossa sobrevivência.