Tag Archives: Saúde

Só os médicos resolverão?

24 out

0,,958324_4,00

 

O Governo federal lançou o “Programa Mais Médicos” a fim de amenizar o sofrimento dos usuários do Sistema único de Saúde e, também, proporcionar melhores condições para que os doentes sejam atendidos de forma mais rápida. Tal programa recebeu elogios e críticas em todo o país. Os primeiros surgiram pela real necessidade em se investir em mão-de-obra capacitada no setor de saúde. Já as outras ressaltavam que a medida não solucionaria os problemas apenas com médicos.

            Ao lançar o Programa, o Ministério da Saúde salientou que as vagas, primeiramente, deveriam ser preenchidas por médicos brasileiros. Na falta destes, estrangeiros seriam convidados para cumprir o papel de levar saúde à população mais carente. Como as vagas não foram preenchidas pelos nativos, milhares de médicos de outros países, principalmente de Cuba, desembarcaram aqui para realizar trabalhos de emergência.

            O setor da saúde, em todos os cantos do país, está sucateado. Hospitais lotados, pessoas atendidas nos corredores, falta infraestrutura básica para atender a população com dignidade… Apenas médicos não solucionariam o problema. A chegada dos profissionais estrangeiros será apenas um paliativo para o caos que vive a saúde no Brasil.

            No Vale do Paraíba não é diferente. Segundo dados do próprio site do Ministério da Saúde, Lorena e Potim receberão médicos na segunda etapa do Programa. A primeira, 26 profissionais e a outra, 4. Outras cidades que sofrem com o a falta de condições na saúde não aderiram ao projeto e ficaram de fora, como Cruzeiro, Guaratinguetá e Aparecida.

            Para receber a ajuda, um dos itens determinado pelo Ministério é:  “Município com 20% (vinte por cento) ou mais da população vivendo em alta vulnerabilidade social, com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.” Por isso, a questão política foi fundamental na não inscrição. Certamente, alguns prefeitos amedrontaram-se pelo fato de cadastrarem suas cidades devido a esse item. Questões políticas também são marcantes como partidos opositores ao governo PT em pedirem auxílio dessa magnitude. Na política, sabe-se que mais vale é o ego. A população vem depois.

            No geral, o Brasil possui apenas 1,8 médico para cada mil habitantes. Índice pequeno se comparado a outros países como Argentina (3,2), Uruguai (3,7) e Espanha (4). Ainda segundo o Ministério da Saúde, R$ 15 bilhões serão investidos em obras de revitalização e construção de novos centros de saúde. Mas, como tudo por aqui é passível de dúvidas tomara que a saúde sofra uma melhora considerável. Se lembrarmos dos tempos da Contribuição Provisória por Movimentação Financeira (CPMF), que resolveria os problemas no setor, já teríamos um ponto negativo para ressaltar.

            Se somente os médicos resolverão o problema no setor, já adianto que não. Caso não haja um investimento pesado e as pessoas não sejam mais tratadas como bois em matadouro, possivelmente algo de relevante poderá ser destacado. Por enquanto, o Programa não passa de expectativa.

Anúncios

Custo Brasil

17 ago

moeda-mordida

O Brasil não tem jeito mesmo. A falta de gestores competentes atravanca a nação de tal forma que, mesmo sendo a sétima potência do mundo, não consegue elevar-se ao padrão de excelência na prestação de serviços básicos como educação e saúde.

            Aqui, arrecada-se demais. É muito dinheiro que se esvai pelos ralos e que cai nas mãos dos ratos, eleitos por nós mesmos, eleitores sem qualquer escrúpulo na hora de escolher o futuro.

            Talvez não haja no mundo país que obrigue os cidadãos a pagar tamanha carga tributária. Muito imposto em troca de quase nada. A educação é péssima e a saúde, pior. Mas a gente paga caro por isso. Para maior indignação, agora as notas fiscais devem apresentar a porcentagem de imposto pago em cada compra. Por exemplo, para cada R$ 100,00 de gasolina, aproximadamente R$ 48,00 são impostos, ou seja, quase metade. Porém, o retorno desse dinheiro usurpado dos nossos bolsos é ínfimo. É triste ver nosso suor depositado na corrupção. Um carro, por exemplo, cujo valor aproximado seja de R% 60 mil, a carga tributária ultrapassa os R$ 25 mil.

            Aqui existe o tal “Custo Brasil”, que atrapalha, e muito, o desenvolvimento social. Alguns exemplos são: corrupção, burocracia, déficit público, principalmente com servidores, juros elevados, altíssima carga tributária, custos trabalhistas, sistema previdenciário ineficiente, bem como o jurídico, péssimas infraestrutura, educação e saúde.

            O Senado, no começo deste ano, tentou, por meio de projeto de lei, reduzir os tributos em alguns setores, como engenharia e transportes. Todavia, o feito apenas conseguiu um decréscimo de 0,5%, considerado irrisório.

            Ao que tudo indica, a indústria da corrupção é a única que atua a todo vapor e sem maiores problemas. Vemos uma condenação ou outra, mas dificilmente os valores desviados voltam para o caixa. Segundo a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), a corrupção consegue tomar do povo cerca de R$ 69 bilhões por ano, ou seja, de 1,38% a 2,3% de todo o Produto Interno Bruto.

            Para ilustrar, cito aqui o que conseguiríamos realizar caso esse câncer fosse extirpado do Brasil (segundo a matéria ‘O Preço da corrupção no Brasil, de Marianna Camargo – Revista Ideias):

            Educação – O número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. Saúde – Nos hospitais públicos do SUS, a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%.Habitação – O número de moradias populares cresceria consideravelmente. A perspectiva do PAC é atender 3.960.000 de famílias; sem a corrupção, outras 2.940.371 poderiam entrar nessa meta, ou seja, aumentaria 74,3%. Saneamento – A quantidade de domicílios atendidos, segundo a estimativa atual do PAC, é de 22.500.00. O serviço poderia crescer em 103,8%, somando mais 23.347.547 casas com esgotos. Infraestrutura – Os 2.518 km de ferrovias, conforme as metas do PAC, seriam acrescidos de 13.230 km, aumento de 525% para escoamento de produção. Os portos também sentiriam a diferença, os 12 que o País possui poderiam saltar para 184, um incremento de 1537%. Além disso, o montante absorvido pela corrupção poderia ser utilizado para a construção de 277 novos aeroportos, um crescimento de 1383%.

            Dinheiro o Brasil tem. O grande problema é que a falta de gestão e, claro, a corrupção, destroem a nossa capacidade de crescer. E não há previsão disso acabar.

Santa Casa de Cruzeiro na UTI?

29 mar

          Em todas as eleições, parece-me que todo o falatório é o mesmo. Educação, saúde, segurança, melhores salários, infraestrutura, moradia etc, etc, etc. Os eleitores, claro que nem todos, muitas vezes não conseguem discernir entre o candidato mentiroso, falastrão e o que realmente quer fazer algo.

            Cruzeiro passa por uma das maiores crises da sua história. Nunca antes sofreu tanto com as condições de saúde oferecidas pelo Poder Público. Algo de muito terrível acontece com a nossa Santa Casa.

            Seu primeiro registro completa quase 100 anos de idade. Ela serviu milhares de pessoas em toda a sua existência. A primeira mesa administrativa foi constituída em 04 de abril de 1926 e o major Hermógenes de Azevedo Souza inaugurou os trabalhos. Oficialmente, em 15 de agosto de 1926, junto ao referido major, o vigário local, autoridades do município e da vizinhança abriram os atendimentos.

            Hoje, oferece 158 leitos para internação hospitalar, 442 colaboradores e 88 médicos. Tudo isso para uma área populacional de 128 mil habitantes, entre atendimentos de urgência e emergência. Das 7.336 internações, 5.267 foram realizadas pelo SUS, correspondendo a 72% do total de 2011.

            O povo de Cruzeiro e região precisa muito dela, principalmente os mais carentes, já que a grande maioria necessita dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

           Nos últimos dias, o principal assunto da cidade e região foi a possível falência dessa instituição filantrópica. Depois de tantos anos, cogita-se o fechamento de suas portas. Ao que parece, alguns atendimentos foram interrompidos. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) não aceitaria mais pacientes e só casos de extrema emergência estão sendo atendidos. Médicos supostamente não recebem salário há, aproximadamente, três meses. A vida não vale nada para determinados políticos.

            A dívida da Santa Casa com os bancos, especificada, é a seguinte: Cheque especial: R$ 356 mil; conta garantida: R$ 520 mil; receita: R$ 1.280 milhão; despesa:  R$ 1.550 milhão; pessoal: R$ 900 mil; medicamentos e materiais: R$ 300 mil; médicos e terceiros: R$ 310 mil; financeiro: R$ 70 mil; dívidas a curto prazo: R$ 8 milhões;  dívidas a longo prazo: R$ 4 milhões.

             É claro que esses valores absurdos da dívida se arrastam há anos, mas hoje é que se nota um tremendo descaso com a saúde pública. Não se trata apenas de Cruzeiro. Como esta cidade atende algumas outras menores da região, muita gente teria começado a sofrer as consequências.

              Nada é mais precioso do que a saúde. Com ela, podemos viver bem, ter educação, compartilhar coisas boas… ser felizes. Pena que nossos políticos não dão valor a NOSSA saúde. Para eles, a saúde é só mais uma tal. Como se fosse menos importante que as falcatruas corriqueiras. É necessário muito trabalho para tirar a Santa Casa da UTI. Quem seria capaz?