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Dengue no país tropical

13 out

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“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. A música de Jorge Benjor é um primor para descrever o Brasil, terra de tantas belezas naturais, povo acolhedor, língua poética, riquezas que brotam do solo… mas nem tudo é perfeito. Temos nossos políticos, que deveriam ser responsáveis pelas soluções dos problemas, mas o que vemos é que eles são nossos principais dilemas.

Por vivermos num país tropical, somos acometidos por uma série de doenças que poderiam ser controladas pelas políticas públicas satisfatórias.  Em 2013, por exemplo, a cidade de Cruzeiro sofreu, como nunca antes, uma epidemia que fugiu do controle por falta de critérios de gestão pública. Não havia agentes suficientes, sequer políticas de conscientização para livrar a população desse mal. 4.586 casos de essa doença foram diagnosticados e muitas mortes aconteceram. O Ministério Público, na ocasião, começou a investigar o caso e detectou que o problema foi político.  A ex-prefeita foi investigada no inquérito civil número 14.0247.000753/2013-1 por improbidade administrativa.

A dengue é uma doença transmitida pela fêmea do mosquito Aedes Aegypti. Apenas durante o dia, no ato da picada, o inseto, pela sua saliva, contamina o humano. A doença ocorre homem-Aedes Aegypti-homem. A fêmea, ao picar uma pessoa contaminada, mantém o vírus em si.

As cidades do Vale do Paraíba estão de olhos abertos contra esse mal. Alguns casos já foram diagnosticados em Lorena e o Poder Público busca estratégias para sanar o problema pela raiz. Não é compreensível que as prefeituras não se atentem para essa doença típica de países tropicais. Será que todos os anos precisamos lembrar os prefeitos sobre a importância de se ter um plano real que proteja os cidadãos? É inadmissível que a população sofra com o descaso, e por que não dizer, incompetência de quem deveria gerir a máquina pública par o bem-estar.

Recorremos mais uma vez à ciência. Hoje, cientistas já criaram um mosquito geneticamente modificado. Apenas os machos são soltos no ambiente e, ao cruzarem com as fêmeas, os filhotes não vingam. Em cidades como Juazeiro, na Bahia, a redução chegou a 79%. Já que a política não resolve, pedidos socorro, mais uma vez, à ciência.

A população também precisa fazer sua parte. Muitas vezes, o foco da dengue está nos quintais, nas caixas d’água abertas e no acúmulo de lixo. Não se deve pensar que o mal só acontece no vizinho. Somos responsáveis pela cobrança de nossos políticos, mas, antes de tudo, precisamos ter a responsabilidade de gerenciar o que está ao nosso alcance.

A dengue mata e nós todos somos responsáveis pelo bem comum. É preciso que todos unamos nossas forças para cobrar e, também, agir quando necessário. É época de nos proteger. Cuidado! O mosquito está aí.

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O Começo do fim

7 ago

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Quem conhece um pouco a política sabe que o Brasil está longe de ser um exemplo a ser seguido no setor. Políticos mal preparados, dinheiro gasto aos horrores com obras que não farão a diferença para a população, o cancro da corrupção corroendo a esperança de se conhecer um país mais justo etc.

          Ouvimos muito os gestores públicos afirmarem que as verbas são restritas, que não há dinheiro para fazer tudo de que a população necessita, que o gestor anterior deixou a “casa” totalmente fora de ordem… não temos condições de ouvir mais isso. Não merecemos isso. Precisamos de soluções concretas.

          Cruzeiro é uma cidade maravilhosa, expoente de tranquilidade e condição de vida desejável. Porém, passamos por momentos políticos de turbulência. As incertezas em relação ao panorama político-administrativo da cidade causam consequências desastrosas a instituições que tendem apenas a fazer o bem e a prestar auxílio à população mais carente.

          A Santa Casa de Misericórdia é um exemplo de descaso por parte do Poder Público e por falta de uma gerência eficiente. Veículos de comunicação divulgaram que o importante centro de atendimento médico-hospitalar pode fechar as portas. Em virtude de uma dívida de R$ 10 milhões, e o fim do repasse oferecido pela Prefeitura, acusa-se até mesmo a falta de medicamentos. A Santa Casa não atende apenas Cruzeiro, mas outras cidades como as do Vale Histórico.

          A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais, que há muito tempo presta serviços incontestáveis ao município, também cogita fechar as portas. Em carta, a diretora técnica Ângela Elisei clama por ajuda da população e que, segundo ela, “os governantes querem que o trabalho das APAEs acabe”. As Apaes são de grande valia aos municípios, pois prestam serviços maravilhosos que visam ao bem-estar social. Integrar na sociedade pessoas com deficiência é um verdadeiro ato de cidadania. Quem vira as costas para uma associação desse tipo merece ser defenestrado da política; além do fato de não ter qualquer dose de humanidade.

          Não consigo entender essa falta de vontade, ou até mesmo de capacitação, de pessoas que gerenciam nosso sistema público. É inadmissível que o Brasil sempre precise das mesmas coisas. Nunca tivemos educação, saúde, moradia etc. Nunca. Não é a crise x ou a y. Nós nunca fomos respeitados enquanto cidadãos. Somos considerados veículos de manobras. Políticos sempre lutam por nosso voto, mas não recebemos em troca, sequer, as condições mínimas para vivermos com dignidade.

          Nossas casas são cercadas por grades, nossos carros têm seguros caros, tememos pelos familiares, as escolas públicas estão em petição de miséria (bom fora bela viola, por dentro pão bolorento), os hospitais estão às mínguas, carga tributária de sugar o sangue do contribuinte… não consigo enumerar tudo aqui.

          Dessa forma, dizer que devemos protestar nas urnas é um dos maiores clichês. De fato, não sei o que acontece com os brasileiros.  A meu ver, se parecem com hienas: comem carniça e saem dando risada.