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Urubus, ratos e outros políticos

7 mar

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Urubus são carniceiros. Ratos são moradores de esgotos capazes de nos furtar na calada da noite. Baratas são resistentes e sobrevivem a inúmeras intempéries.  Gatos andam de fininho pelos telhados atentos aos movimentos. O morcego chupa o sangue das vítimas indefesas. O que esses animais têm em comum? Todos eles são metáforas de muitos de nossos políticos.

            Existe o político-urubu, que come até o último suspiro da vítima. Desvia dinheiro e sucateia equipamentos da Saúde. Vangloria-se de obter sucesso com a desgraça alheia. Não importa se as famílias vão chorar a perda. Só o que vale é a barriga cheia.

            Os políticos-ratos são aqueles que vivem sob os nossos pés. Assessores que são pagos com o nosso dinheiro para atuar em nome do chefe. Eles levam comida para a toca, abastecem o ninho e crescem no meio da sujeira. Quem sabe, até se candidatam e alcançam a vitória no limbo subterrâneo. Muita gente vota em rato.

            As baratas são consideradas os animais mais resistentes da Terra. Sobreviveram até mesmo ao asteroide que destruiu tudo há milhões de anos. Elas conseguem o que querem e, mesmo com chineladas, vão demonstrando forças mexendo as patinhas. Uma delas chegou até a ser presidente do Senado. Embora tenha vivido momentos delicados e tenha sido alvo de ataques constantes, conseguiu concluir o mandato. Foi difícil para ela abandonar o barco.

            Os gatos são aqueles animaizinhos bonitinhos, fofinhos que a gente agrada e paparica e sem mais nem menos nos arranha ou foge de casa, deixando-nos a ver navios. Os políticos-gatos, também conhecidos como gatunos, são sorridentes, nos afagam, miam aos nossos ouvidos e, sem delongas, nos deixam na mão. Em época eleitoral, então, nem se fala. Aparecem milhares desses.

            O político-morcego é aquele que adora chupar o sangue das vítimas. Normalmente, desvia dinheiro da Educação. Quando se deveria investir em material didático, merenda e transporte escolar etc, ele vai sugando a energia da vítima até faltarem forças para ler, escrever e se tornar cidadã de verdade. Assim, o povinho pode votar nele de novo.

            Existem outros tipos de políticos na área da zoologia. Incontáveis. Eu não poderia citar todos aqui. Mas que importa é que a maioria deles, agora eleitos, está levando a política a sério. O mais usual dos projetos é o Projeto Pacu, homenagem ao peixe robusto que vive em águas doces brasileiras. Neste plano, o político entra com o “PA” e o povo, como sempre, com o *.

Horda de fanfarrões – Texto publicado no Jornal Classe Líder de Cruzeiro três dias antes das últimas eleições, mas continua atual.

25 jan

Redijo esse texto três dias antes das eleições. Obviamente, ainda não sei o resultado, porém o que nos foi apresentado foi tão sofrível e lamentável que tenho medo de sentir saudade dos membros do Congresso atual. Não é possível que um país em pleno desenvolvimento aceite de braços abertos tanta gente incapacitada se candidatando a cargos tão importantes. E não me venha com essa de que país democrático tem que dar o direito a todos de, ao menos, concorrer a cargos eletivos.

O significado de “democracia” é “poder que emana do povo” e parece-me que o povo brasileiro não está preparado para alçar ao poder seus representantes. Não é à toa que o Brasil está sempre entre os primeiros nos rankings de corrupção.

É inadmissível que um país sério aceite calhordas de terno e gravata esbanjando soberba e babando a gordura sugada do trabalho do povo, que paga impostos a todo instante sem ao menos questionar para onde vai o dinheiro. Não é possível que um bando de canalhas receba milhões para não fazer nada além de surrupiar mais dinheiro.

É evidente que existem políticos sérios, mas a impressão que nosso histórico político me causa é de que uma horda de fanfarrões, incentivados pelos próprios partidos políticos, assuma o poder para angariar fundos para falcatruas.

São investimentos exorbitantes em campanhas de candidatos que nada farão para o povo nestes próximos quatro anos. Tiririca, por exemplo, recebeu R$ 3,5 milhões para fazer campanha, sendo que, se somados todos os meses de salário que ele receberá nos quatro anos de mandato, esse valor nunca será alcançado (pelo menos aos olhos de quem vê). O eleitor será que entende isso?

Por isso afirmo nesses anos todos em que tento conscientizar por meio deste humilde espaço, que a educação é a solução para todos os problemas. Quem é bem informado, sabedor de seus direitos e deveres, um cidadão completo, sabe refletir e, assim, escolhe bem seus representantes.

Se houvesse uma mudança profunda no modo do brasileiro enxergar as eleições, tenho certeza que os próprios partidos políticos seriam mais criteriosos na escolha dos seus candidatos.

Todavia, na atual conjuntura, meu desejo é uma utopia. Como levar a refletir pessoas que saem da escola sem saber interpretar textos? Como analfabetos funcionais conhecerão seus direitos e deveres? Como um povo alienado vai votar direito? Como um povo desprezado pelos representantes que elegeu, pacífico em sua natureza, vai exigir mudança? Mudar é ascender analfatetos/incompetentes ao poder? Voto de protesto?

Enquanto essas perguntas não são respondidas, ou não podem ser, eles estão aí, à solta, deixando de revirar lixo para usufruir do caviar, que nós mesmos não comemos, mas que oferecemos a eles com o suor de nosso trabalho; tudo acompanhado com champanhe servido em bandejas de prata. Que venham mais mensaleiros, corruptos, larápios. Que venha a nova horda de fanfarrões.