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Nossos medos

14 jul

Medos

O ser humano nasce com medo. Cresce sendo assombrado por milhares de situações que nos são impostas por todo o tempo. Uns têm mais medo do que os outros. Para alguns, o sentimento de perda é aterrorizante, para outros, a falta de pão. A sociedade é impregnada por dogmas, paradigmas e uma enxurrada de pontos costurados na pele de cada um de nós.

Por vezes, encontramos pessoas que nos habilitam a sermos melhores e mais felizes. Mas também há aquelas que aparecem como agouros do mal. Dessas tenho medo. Chegam devagar, sorrateiras, furtivas e, no fim, levam todas as nossas energias positivas a ponto de nos sugar até o brilho da alma.

Maquiavelicamente, dominam nossa confiança e, quando percebemos, já estamos mortos… metaforicamente mortos. Essas pessoas galgam seus objetivos extraindo o melhor das outras e, a partir disso, sempre me pergunto se alguém tem condições de mudar… o ser humano muda? Ou até onde o caráter dos indivíduos pode ser remodelado? Penso que tudo o que fazemos nos impele consequências.

Quem somos é uma construção diária, quem seremos parte das nossas escolhas. Somos livres para fazer o que bem entendermos e, com isso, consequências indesejadas podem surgir. Nossos atos determinam quem somos e nossa personalidade é talhada por aquilo que fazemos e com quem convivemos.

A filosofia existencialista de Jean-Paul Sartre afirma categoricamente que a essência dos indivíduos é não ter essência imediata, mas sim construída, ou seja, a sua história. “A existência precede a essência”, disse em muitas de suas falas. Suas relações sociais são pontos fundamentais para a construção e lapidação do “eu”. Assim, produzem seus próprios ambientes e sua condição existencial é predeterminada.

John Locke defendeu a ideia de que a criança aprende a partir daquilo que lhe é oferecido, nisso compreendem-se todas as suas vivências. Quando é exposta a um ambiente degenerado, tende a crescer com valores (sem nosso julgamento de certo e errado) destoantes. Um importante fragmento de sua obra: “é possível levar, facilmente, a alma das crianças numa ou noutra direção, como a água”. Quem ela será depende daquilo que lhe foi apresentado. É um pensamento externo que se internaliza.

Em consequência disso, temos todos os nossos medos. Mas os piores deles é ter medo do futuro e esperar algo de alguém. Não temos como prever as atitudes do outro e a expectativa é a mais cruel das ansiedades. Como vier sem medo? Impossível! Talvez o segredo seja tentar compreender a desordem do caos e nada mais.

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