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Há quem goste dos flanelinhas?

19 fev

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Nada é mais irritante do que parar o carro nas vias públicas e ouvir a pergunta: “Posso dar uma olhadinha, senhor?”. Como um vírus, o número de flanelinhas está aumentando cada vez mais. Não temos mais sossego para andar tranquilos sem que algum nos chame a atenção.

            O “trabalho” deles é dispensável. Não é possível caber na mente humana a necessidade de um cidadão “vigiando” um carro para que ninguém o furte, arranhe ou faça atrocidades com ele.

            Confesso: odeio flanelinhas desde o dia em que, na cidade de Bauru, meu primeiro carro foi depenado por um deles. O fulaninho entortou a porta e subtraiu som, CDs, tudo o que havia no porta-luvas e ainda saiu mascando meus chicletes. Não suporto chegar a algum lugar e já dar de cara com um deles se prestando a fazer nada a troco das minhas moedas.

            Em muitos casos, principalmente aqueles em que o motorista não tem saída se não aceitar pagar pelos “serviços”, pode-se configurar crime de extorsão, já que não há como deixar de aceitar os préstimos.

            Existem três tipos de flanelinhas: rapazes fortes e saudáveis, bêbados e crianças. Os dois primeiros são os mais irritantes. Os rapazes abordam com aquele jeito malandro e vêm com conversa fiada. Os bêbados só faltam se jogar na frente do carro. Agora, as crianças merecem atenção especial. O Conselho Tutelar deveria olhar por elas. Qual a diferença de uma criança pedir esmolas ou moedas para vigiar carros? Existem leis que proíbem que elas se sujeitem a isso.

            Certa vez, a TV Globo exibiu uma reportagem sobre os flanelinhas que atuavam ao redor da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), uma das mais tradicionais de São Paulo. Os alunos que precisavam estacionar por ali deveriam pagar mensalidade a eles. Na época, o valor alcançava R$100,00. Caso não aceitassem, os veículos apareciam depredados.

            A Polícia Militar faz vista grossa a esse tipo de gente. Se a corporação quisesse acabar com o problema, já o teria feito. Inaceitável é sermos obrigados a fazer o que não queremos por medo. Ela tem a obrigação de zelar pelo bem comum.

            A cidade litorânea de Ubatuba criou a Associação de Guardadores de Carros. Todos os flanelinhas usam colete, mas torram a paciência do mesmo jeito. Pelo menos, a cidade buscou uma alternativa para amenizar nosso sofrimento. A identificação do sujeito já nos livra do medo inicial de uma possível abordagem mais grosseira.

            Nota-se, nas cidades do Vale do Paraíba, como Cruzeiro, Lorena, Aparecida e Guaratinguetá etc, o aumento no número de flanelinhas. A região central dessas cidades abriga muitos deles. Ainda por cima, além de pagarmos a zona azul, temos que arcar com esse dispensável serviço.

            Rogo aos céus que um dia esse pessoal migre de profissão e aceite o fato de que seus feitos não têm utilidade nenhuma. Tento enxergar no horizonte um mundo no qual os flanelinhas sejam apenas um detalhe sociocultural ultrapassado e em desuso. E, por fim, que nos anais históricos esteja registrado o eficiente trabalho do Estado em conter esses abusos marginais.

Só os médicos resolverão?

24 out

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O Governo federal lançou o “Programa Mais Médicos” a fim de amenizar o sofrimento dos usuários do Sistema único de Saúde e, também, proporcionar melhores condições para que os doentes sejam atendidos de forma mais rápida. Tal programa recebeu elogios e críticas em todo o país. Os primeiros surgiram pela real necessidade em se investir em mão-de-obra capacitada no setor de saúde. Já as outras ressaltavam que a medida não solucionaria os problemas apenas com médicos.

            Ao lançar o Programa, o Ministério da Saúde salientou que as vagas, primeiramente, deveriam ser preenchidas por médicos brasileiros. Na falta destes, estrangeiros seriam convidados para cumprir o papel de levar saúde à população mais carente. Como as vagas não foram preenchidas pelos nativos, milhares de médicos de outros países, principalmente de Cuba, desembarcaram aqui para realizar trabalhos de emergência.

            O setor da saúde, em todos os cantos do país, está sucateado. Hospitais lotados, pessoas atendidas nos corredores, falta infraestrutura básica para atender a população com dignidade… Apenas médicos não solucionariam o problema. A chegada dos profissionais estrangeiros será apenas um paliativo para o caos que vive a saúde no Brasil.

            No Vale do Paraíba não é diferente. Segundo dados do próprio site do Ministério da Saúde, Lorena e Potim receberão médicos na segunda etapa do Programa. A primeira, 26 profissionais e a outra, 4. Outras cidades que sofrem com o a falta de condições na saúde não aderiram ao projeto e ficaram de fora, como Cruzeiro, Guaratinguetá e Aparecida.

            Para receber a ajuda, um dos itens determinado pelo Ministério é:  “Município com 20% (vinte por cento) ou mais da população vivendo em alta vulnerabilidade social, com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.” Por isso, a questão política foi fundamental na não inscrição. Certamente, alguns prefeitos amedrontaram-se pelo fato de cadastrarem suas cidades devido a esse item. Questões políticas também são marcantes como partidos opositores ao governo PT em pedirem auxílio dessa magnitude. Na política, sabe-se que mais vale é o ego. A população vem depois.

            No geral, o Brasil possui apenas 1,8 médico para cada mil habitantes. Índice pequeno se comparado a outros países como Argentina (3,2), Uruguai (3,7) e Espanha (4). Ainda segundo o Ministério da Saúde, R$ 15 bilhões serão investidos em obras de revitalização e construção de novos centros de saúde. Mas, como tudo por aqui é passível de dúvidas tomara que a saúde sofra uma melhora considerável. Se lembrarmos dos tempos da Contribuição Provisória por Movimentação Financeira (CPMF), que resolveria os problemas no setor, já teríamos um ponto negativo para ressaltar.

            Se somente os médicos resolverão o problema no setor, já adianto que não. Caso não haja um investimento pesado e as pessoas não sejam mais tratadas como bois em matadouro, possivelmente algo de relevante poderá ser destacado. Por enquanto, o Programa não passa de expectativa.