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Mundo cão

28 jan

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Estou cada vez mais pessimista em relação ao futuro do país. Em todos os setores, não há perspectiva positiva. Diminuição de verbas na educação, falta de água e de energia, tabela do Imposto de Renda congelada, saúde falida e a segurança à beira do caos.

          Dia 10 de janeiro, fui para São Bernardo do Campo visitar minha irmã e, depois, renovar meu visto para os Estados Unidos. Nem bem desci do carro, às 15h45min, na porta da casa dela, um bairro nobre, e já fui abordado por dois marginais numa moto. Como não vi a arma, pensei em reagir, mas, no segundo passo, o carona já sacou uma pistola prateada e apontou para mim. Minha única reação foi entrar na linha de fogo e proteger minha mãe. Em 30 segundos, levaram meu carro, dinheiro, roupas, documentos e minha dignidade.

          Muitas pessoas me dizem para eu agradecer, pois estou vivo. Confesso que é um bom mantra, mas como aceitar o fato de viver encarcerado na minha própria liberdade? Demorei 10 anos para comprar um carro mais confortável para dois marginais o levarem em poucos segundos. Tinha seguro, mas e a hombridade? Eles sapatearam nos meus esforços de anos de trabalho.

          Passado o susto, eu temia que essa violência chegasse até nós, moradores do pacato interior paulista. Não demorou muito e já fiquei sabendo de assaltos à mão armada em Cruzeiro e que a mãe de um amigo querido havia levado um tiro à queima roupa numa tentativa de assalto; ela estava caminhando pela manhã.

          As cidades do Vale do Paraíba sofrem com a falta de segurança proveniente do descaso político em todas as esferas. Não temos a quem recorrer. A polícia pode até prender, mas a “Justiça” manda soltar. Se for menor de idade então, a detenção não dura muito. Os coitadinhos merecem atenção especial do Estado. Nós não!

          E se o indivíduo for preso o Estado ainda paga para ele quase R$ 1 mil, mais auxílios jurídico e social. O trabalhador comum, que sua para levar o sustento para a família, recebe um salário mínimo. Isso é Justiça? Está certo? É moral?

          O pior de tudo é que a nossa líder máxima, Dilma Rousseff, sapateou pedindo clemência para que o traficante brasileiro não fosse executado na Indonésia. Todavia, nunca percebi que a presidente tenha feito isso a favor de uma vítima aqui do Brasil. Vítima na maior acepção da palavra. Ou eu sou ignorante, ou os valores se inverteram. Vamos viver cercados, enquanto os larápios andam por aí. Rezemos para a nossa sobrevivência.

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Embargos infringentes

20 set

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Nada nessa semana foi mais falado do que os tais “embargos infringentes”. Quando todo mundo acreditava que um novo Brasil estava nascendo, com mais justiça e menos corrupção, vai que surge uma terminologia jurídica para jogar tudo pelo ralo. Esses tais embargos podem, e creio que irão, diminuir a pena dos réus do maior escândalo de corrupção do país (pelo menos que se tem notícias até então. Os outros devem ter ficado omissos, pois, com certeza, existiram).

            Previstos no regimento do Supremo Tribunal Federal, tais embargos podem levar a um novo julgamento os condenados que obtiveram ao menos quatro votos favoráveis. Dessa forma, os principais cabeças do mensalão poderão não mais passar o dia na cadeia; com a diminuição da pena, eles só dormirão lá.

            É indiscutível que a Justiça Brasileira é morosa e não resolve muito. Porém, o que se discute é a ineficiência dela, de tantos recursos que são apresentados para safar os réus. Quem tem dinheiro e influência para pagar advogados por anos e anos dificilmente sai condenado; e quando sai paga muito pouco. Aliás, quase todos os envolvidos no escândalo do mensalão foram condenados, mas e o dinheiro desviado? Ficou por isso mesmo?

            Sempre faço uma comparação do que acontece aqui com o ocorrido em outros países. Recentemente, nos Estados Unidos, um homem foi preso por manter em cativeiro três mulheres, estuprá-las e promover uma série de aborto nelas. Depois de preso, em três meses, ele já havia sido condenado a dezenas de prisões perpétuas (a meu ver bastava uma, já que é perpétua) e, dia desses, o acharam morto na cela, por ter se suicidado.

            Aqui no Brasil, em 1992, a atriz Daniella Perez foi brutalmente assassinada pelo seu colega de trabalho, Guilherme de Pádua e pela mulher dele, Paula Thomaz. Estes últimos a emboscaram, usaram artifícios para enganá-la, e a perfuraram com 18 tesouradas, que atingiram pulmão, pescoço, coração e outros órgãos internos. O corpo foi deixado às margens de uma estrada escura, como lixo. Os dois foram para casa e ele ainda chorou no enterro dela dias depois, abraçado à mãe da atriz, a escritora Glória Perez.          A polícia descobriu tudo e ambos foram condenados a aproximadamente 19 anos de prisão. Ficaram apenas seis. Soltos, vagam por aí. Uma vida promissora, para as leis brasileiras, vale seis anos de reclusão. O que dirá de quem desvia dinheiro público!

            Para mim, é óbvio que, o único que ficará preso mesmo, mas por pouco tempo, será o tal Marcos Valério, o mentor do escândalo. O resto, com mais influência, vai dormir, mas só um pouquinho, na cadeia, que já foi totalmente reformada para recebê-los. Celas com janelas, banheiro individual, tudo bonitinho. Eles não são iguais ao pequeno ladrão que rouba uma carteira.

            Para que seguir o artigo 5º da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei”? Eu o reescreveria assim: “Todos os que têm dinheiro são iguais perante a lei”. O Brasil é uma verdadeira piada. Salve o Bolsa Família. Esmola para todos.