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Mais Finlândia e menos Brasil

8 maio

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A educação brasileira vai de mal a pior. Segundo dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), nosso respirar pelo crescimento perdeu totalmente o fôlego. De 38 países analisados, o Brasil conquistou o 37º lugar. Pior que nós só o México. A detentora da melhor educação do mundo é a Finlândia.

            Como parece que não há por aqui alguém que reflita a educação como um tesouro de valor incalculável, a única forma de mudança encarada pelo Governo Federal é discutir a elevação dos investimentos na área de 1% para 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Inúmeros fatores nos convencem de que simplesmente o aumento das verbas não seria suficiente para solucionar os milhares de problemas encontrados. Eis alguns deles:

  • Mais de 50% dos professores do país não possuem formação na área das disciplinas que lecionam. São engenheiros que ministram matemática, veterinários que ensinam biologia etc.
  • Um dos erros mais crassos é achar que professor ganha mal por aqui. Professor ruim ganha mal. Professores que se aperfeiçoam, que preparam suas aulas e demonstram didática ganham muito bem. Aumentar o salário de todos seria um desperdício, pois o mau professor ganhará muito bem fazendo pouco pela educação.
  • Muitas vezes, os professores da educação de base não são treinados para alfabetizar e aplicar aos aprendizes tudo o que é necessário para que estes se incluam na sociedade. O primeiro ciclo da educação é o mais importante, pois, caso existam lacunas nesse período, as deficiências serão permanentes.
  • As escolas, no geral, ainda não estão equipadas com a tecnologia necessária para acompanhar o avanço. Muito menos, há o preparo dos professores para usarem os instrumentos modernos em prol da educação.
  • As bibliotecas das escolas, principalmente as públicas, não oferecem nenhum atrativo para que os alunos e professores sintam prazer em estar lá. Normalmente, são antros sem iluminação adequada, livros empoeirados e nenhum profissional capacitado para auxiliar.
  • As constantes faltas dos professores da Rede Pública são um problema que persiste ao longo dos anos. Com isso, não há sequência do processo de ensino/aprendizagem e, também, muitas vezes, há a troca da sala de aula pelo pátio e bola de futebol.
  • O Brasil ocupa o 75º lugar no ranking que mede o grau de corrupção no mundo. 10% do PIB para a educação aumentaria os desvios de verba nesse setor.

             Quem muda o perfil de uma escola não são os professores, coordenação etc, mas sim o diretor. O gestor educacional é o mais importante profissional que uma escola pode ter. Além da capacitação profissional, deve ter pulso firme para mudar esse sistema inerte que envergonha o Brasil em níveis internacionais. Poderíamos ser mais Finlândia e menos Brasil nesse setor… pelo menos.

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Qual educação você quer para seu filho?

2 jun

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Em todas as reuniões escolares, antes chamadas de “Reuniões de Pais e Mestres”, percebi que a maioria dos responsáveis que nos visitam têm bons alunos como filhos. Das duas uma: ou os pais ligados à escola são mais ativos no crescimento dos filhos, ou os maus alunos também são frutos de pais desleixados, crentes de que a escola pode realizar sozinha o milagre da educação.

            O grande problema que afeta o processo é exatamente a participação dos pais (ou a falta de participação deles). Não se vê nas escolas a interação assídua dos responsáveis, algo inadmissível. O acompanhamento deles diminui à medida que os filhos crescem. Quando a garotada chega ao Ensino Médio, então, parece que só a escola é suficientemente capaz de levar o estudante à evolução de que precisa. Muitos pais não conhecem sequer os professores de seus filhos, não têm contato direto com a coordenação pedagógica e só aparecem no final do ano, quando as coisas já não vão bem.

            Defendo a tese de que o principal problema da Educação Brasileira são os maus pais. Refiro-me àqueles crentes que a criação dos filhos ocorra apenas pelo oferecimento de mimos caros, de regalias, viagens. A criação dos filhos deve se pautar na produtividade e recompensa. Se for um bom aluno, fizer os deveres da escola e o rendimento for bom, que seja recompensado. Existem pais, acredite amigo(a) leitor(a), que vão às reuniões reclamar que não conseguem acordar os filhos, de manhã, para irem à escola. A meu ver, estão completamente dominados e sem qualquer autoridade. Dessa forma, o(a) menino(a) chega à escola acreditando que pode mandar em tudo e em todos; isso com a assinatura dos responsáveis.

            Já atendi um caso de uma mãe que chorou numa dessas reuniões dizendo ser incapaz de controlar o filho, que dita as regras da casa e, como o pai é ausente, expõe o que a mãe deve fazer. Além disso, ainda a ameaça com gritos e palavras de ordem. As atitudes do garoto nada mais são do que fruto de uma criação errônea. Não foram colocados limites quando preciso.

            O Sistema Educacional, fruto de regras impostas pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, é um dos mais burocráticos. Ela faz de tudo, até o impossível e improvável, para que os piores alunos sejam aprovados. A lista de exigências é tamanha que se chega a exigir, para dizer uma das anomalias, o relatório mensal detalhado dos alunos que não conseguem notas. Mesmo se pelo menos 80% dos professores reprovarem determinado discente, ainda assim deverão provar por a+b+c+d que o referido não tem condições de avançar de ano escolar. As escolas precisam ter autonomia. Supervisão de ensino deveria ser do sistema como um todo e não de casos pontuais.

Nessa mais de uma década de magistério, percebi algumas anomalias no processo educacional brasileiro. Ao analisá-lo de forma comparativa com países que se sobressaem na educação, como Coreia do Sul, Finlândia e China, notei que estamos há anos-luz do progresso. O Brasil investe muito na área, mas de uma maneira ineficaz.

            Enquanto aqui, se for realizada uma enquete sobre qual o problema maior da educação, minha certeza é de que os professores responderiam que os baixos salários refletem diretamente na péssima qualidade do ensino. O que não tem nada a ver. Um bom profissional fará o seu trabalho ganhando bem ou mal, pois lecionar foi a carreira escolhida. Não é por um salário pífio que um médico da Rede Pública de Saúde poderá deixar um paciente morrer na míngua.

            Salários altos para professores, definitivamente, não melhorariam a educação. Como sempre defendi: os salários devem ser dignos para professores que produzem bons resultados. Professor ruim (faltoso, ignorante na teoria e na prática etc) não pode ganhar bem. A igualdade não pode existir aqui. Um grande profissional da área precisa de uma boa formação escolar; desde o ensino de base até o superior. Ainda deve ter no currículo atualizações como cursos de especialização e, por que não dizer, até mestrado e doutorado. A educação é mutante. Há uma necessidade contínua de se reciclar e isso não acontece na maioria das vezes aqui.

            Portanto, para que a educação sofra um salto significativo, há a necessidade peremptória de os pais diminuírem a distância entre a casa e a escola. Nós, educadores, precisamos deles para dar continuidade ao processo de amadurecimento dos filhos. Casa é uma extensão da escola. Se o tempo passar, pode ser tarde demais. Quem é o seu filho? E o que a escola em que ele estuda pode oferecer? Essas são as perguntas básicas para todos os responsáveis.