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Tempos de incertezas

20 mar

incerteza

O Brasil é reconhecido, mundialmente, pela sua falta de organização em qualquer setor da sociedade. Desafio alguém a dizer qual órgão, público principalmente, atua na mais completa harmonia. Assim, caminhamos, desde 1.500, de forma desordenada e incompatível com os preceitos de evolução civilizada.

            Logo quando os portugueses chegaram por aqui, espantaram-se com tanta beleza proveniente da natureza e dos corpos nus dos índios que os recepcionaram com temor. Quando Portugal descobriu tantas riquezas, o deslumbramento o fez subtrair tudo o que podia da colônia, sem nenhum limite ou dignidade. Índios foram escravizados e mortos, houve uma sequencial destruição do ambiente e incontáveis registros de besteiras realizadas pelos patrícios.

            Em 1808, com a chegada da Família Real Portuguesa ao país, começamos a arraigar o caos. Fugindo da fúria de Napoleão Bonaparte, Dom João VI e sua trupe enfrentaram inúmeras revoltas por aqui. Historiadores afirmam que ele não era lá bom das idéias, pois se preocupava mais em convencer as pessoas de que não precisava tomar banho do que resolver problemas sociais.

            Anos se passaram e continuamos a ver as mazelas por aqui. Democraticamente, somos uma sociedade tripartite, ou seja, regidos por três Poderes que, pela Constituição federal de 1988, são independentes. Executivo, Legislativo e Judiciário têm, de forma sintética, o dever de zelar pelo povo. Nem sempre é o que ocorre.

            O Legislativo e Executivo são eleitos por um povo que se preocupa em receber dinheiro para matar a fome, mas não se importa em exigir condições e vagas de trabalho adequadas. Prefeitos, governadores, deputados, senadores são incapazes de interpretar as prioridades que seu “curral” eleitoral necessita. Assim, sofremos com a falta de estrutura intelectual das pessoas escolhidas por nós mesmos para nos representarem.

            Desde o impeachment de Fernando Collor (hoje eleito senador da República), não paramos mais de ouvir o verbo “cassar”. Ora mais dito, ora menos. Tal presidente foi destituído do cargo por abusar, criticamente, do poder, enfatizando por atos de corrupção. Em menores proporções, o Vale do Paraíba também sofre com essa problemática.

            A cidade de Taubaté, desde o tempo de Roberto Peixoto, não alcança a estabilidade política. Hoje, Ortiz Júnior, o atual mandatário, já chegou a ser cassado – por supostas fraudes na compra de mochilas para estudantes de escolas públicas, segundo o portal G1 – mas voltou ao poder por liminar da “Justiça”.

            Em Cruzeiro, há a dúvida até de quem é o prefeito(a) de verdade. A Câmara Legislativa cassou por unanimidade Ana Karin, empossou o vice-prefeito Rafic Simão, que nem assumiu como deveria. Mediante uma liminar, ela voltou ao cargo e já há a promessa de que a Câmara poderá cassá-la mais uma vez.

            Dessa forma, essa querela entre poderes afeta em demasia a evolução social. A dúvida de quem é o cacique da aldeia deixa os índios em estado de alerta. A quem recorrer caso Tupã mande uma tempestade? Enquanto a democracia promove uma briga entre os poderes, nós, que não temos poder nenhum (nem no voto conseguimos acertar) estamos parecendo Dom JoãoVI: o que importa é tomar (ou não) o banho. Deixemos o pau comer.

Horda de fanfarrões – Texto publicado no Jornal Classe Líder de Cruzeiro três dias antes das últimas eleições, mas continua atual.

25 jan

Redijo esse texto três dias antes das eleições. Obviamente, ainda não sei o resultado, porém o que nos foi apresentado foi tão sofrível e lamentável que tenho medo de sentir saudade dos membros do Congresso atual. Não é possível que um país em pleno desenvolvimento aceite de braços abertos tanta gente incapacitada se candidatando a cargos tão importantes. E não me venha com essa de que país democrático tem que dar o direito a todos de, ao menos, concorrer a cargos eletivos.

O significado de “democracia” é “poder que emana do povo” e parece-me que o povo brasileiro não está preparado para alçar ao poder seus representantes. Não é à toa que o Brasil está sempre entre os primeiros nos rankings de corrupção.

É inadmissível que um país sério aceite calhordas de terno e gravata esbanjando soberba e babando a gordura sugada do trabalho do povo, que paga impostos a todo instante sem ao menos questionar para onde vai o dinheiro. Não é possível que um bando de canalhas receba milhões para não fazer nada além de surrupiar mais dinheiro.

É evidente que existem políticos sérios, mas a impressão que nosso histórico político me causa é de que uma horda de fanfarrões, incentivados pelos próprios partidos políticos, assuma o poder para angariar fundos para falcatruas.

São investimentos exorbitantes em campanhas de candidatos que nada farão para o povo nestes próximos quatro anos. Tiririca, por exemplo, recebeu R$ 3,5 milhões para fazer campanha, sendo que, se somados todos os meses de salário que ele receberá nos quatro anos de mandato, esse valor nunca será alcançado (pelo menos aos olhos de quem vê). O eleitor será que entende isso?

Por isso afirmo nesses anos todos em que tento conscientizar por meio deste humilde espaço, que a educação é a solução para todos os problemas. Quem é bem informado, sabedor de seus direitos e deveres, um cidadão completo, sabe refletir e, assim, escolhe bem seus representantes.

Se houvesse uma mudança profunda no modo do brasileiro enxergar as eleições, tenho certeza que os próprios partidos políticos seriam mais criteriosos na escolha dos seus candidatos.

Todavia, na atual conjuntura, meu desejo é uma utopia. Como levar a refletir pessoas que saem da escola sem saber interpretar textos? Como analfabetos funcionais conhecerão seus direitos e deveres? Como um povo alienado vai votar direito? Como um povo desprezado pelos representantes que elegeu, pacífico em sua natureza, vai exigir mudança? Mudar é ascender analfatetos/incompetentes ao poder? Voto de protesto?

Enquanto essas perguntas não são respondidas, ou não podem ser, eles estão aí, à solta, deixando de revirar lixo para usufruir do caviar, que nós mesmos não comemos, mas que oferecemos a eles com o suor de nosso trabalho; tudo acompanhado com champanhe servido em bandejas de prata. Que venham mais mensaleiros, corruptos, larápios. Que venha a nova horda de fanfarrões.