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A Copa do Mundo é nossa?

11 abr

alienado

Ano de Copa do Mundo. Festividades a mil, orgulho de ser brasileiro, todo mundo com a camisa amarelinha… nada disso. Estamos muito apreensivos com o que tão grandioso evento poderá nos proporcionar. O brasileiro está aprendendo, com tanto sofrimento, a refletir sobre o conceito de prioridade. Não é só carnaval, futebol e samba que nos trazem a essência da vida.

            Quando o país foi escolhido para ser a sede do maior evento esportivo do planeta, quase todo mundo torceu a favor e a indignação apenas surgia quando o assunto era corrupção. O tempo foi passando e hoje deparamo-nos com um clima de tensão a respeito do que acontecerá durante o mundial

            As manifestações constantes são a causa mais fiel de que o período de Copa do Mundo será um prato cheio para que as ruas sejam “invadidas” pelos descontentes. E como há gente revoltada com os rumos que o Brasil toma! Hoje mesmo, li uma matéria sobre a vinda dos Black Blocs europeus para cá. Querem “ajudar” nas manifestações.

            Quando o país foi escolhido para ser a sede, já estava claro para todos nós que nossos políticos não teriam a capacidade de gerenciar algo tão grande. Até por que, pelo conjunto da obra, usariam as verbas públicas para outros fins particulares. Sempre tivemos outras prioridades que nunca foram as mesmas deles.

            Quem nos governa tem outras premissas e o coração duro como pedra. Enquanto gastam-se bilhões na construção de estádios, cidadãos de bem esperam para ser atendidos nos hospitais públicos e, quando são, não recebem tratamento digno. Mas na cabeça dos responsáveis pela Copa, nós queríamos mesmo é futebol.

            Alemanha e África do Sul gastaram juntas R$ 18 bilhões. O Brasil já consumiu R$ 28 e muitas obras ainda estão atrasadas. Será isso pretexto para, no final do prazo, se exigir verbas emergenciais? O que mais me espanta é não me lembrar de ter visto alguma denúncia de corrupção ou desvio de verbas. Não dá para acreditar que esse mar de dinheiro foi destinado todinho à construção dos estádios e afins. Será que nossos gestores receberam a luz divina e pararam de pecar?

            Muitas vezes, o dinheiro para as edificações foram mal aplicados. O que será feito com um estádio enorme em Manaus depois da Copa? E a infraestrutura das cidades? O que melhorou? É só construir estádios em cima do nada?

            A FIFA, órgão máximo do futebol mundial, será quem mais vai lucrar por aqui. Estima-se que ela arrecadará um montante quase 100% superior ao que arrecadou na Alemanha, por exemplo. E o mais absurdo de tudo isso são os milhares de voluntários que se inscreveram para trabalhar para ela a troco de sanduíche e refrigerante.

            Diante de todas essas situações, penso apenas em torcer para que nada de mais grave aconteça durante o evento, pois já sei que a Copa do Mundo é da FIFA, que o Brasil não sabe organizar nada com maestria, que nossos políticos são péssimos gerentes, que a alienação do povo é desgovernada etc. Enquanto isso, pago meus impostos e vejo meus alunos colecionando figurinhas no álbum oficial da FIFA.

Ressaca pós-Carnaval

5 mar

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Em época de Carnaval, sinto-me um peixe fora d’água. Acredito que eu não seja o único neste país que odeia esse tempo de bagunça, mas tenho certeza de que ninguém o odeia mais do que eu. Não me conformo de parar um país inteiro para que milhões de pessoas simplesmente extravasem suas reais personalidades. Tudo para, aliás só começa depois disso tudo.

            O Carnaval originou-se na Grécia Antiga, por volta de 500 a.C. Era um período no qual os gregos agradeciam os deuses pela produtividade na agricultura e pecuária. Só mil anos depois é que a Igreja Católica acrescentou-a no seu calendário oficial como forma de se despedir da carne. Por todo o mundo, existem festejos populares que comemoram o período religioso, porém, com o tempo, houve uma deturpação da maneira como as festas deveriam ser realizadas.

            Na França, precisamente no século XIX, criou-se o Carnaval moderno, com pessoas fantasiadas. Tal modelo foi exportado e, hoje, o Rio de Janeiro proporciona a maior festa popular do mundo. Tenho certeza de que a Igreja, que inventou a comemoração, deve estar com os cabelos em pé.

            Por aqui, nessa época, a principal campanha governamental é relativa ao combate à transmissão de doenças causadas pelo sexo sem proteção. Neste ano, o Governo Federal distribuiu 104 milhões de preservativos, folderes educativos e outros. Além disso, gasta-se uma enormidade com a segurança, infraestrutura, marketing… mais dinheiro público esvaindo-se pelos ralos da má administração.

            Enquanto vemos o sistema público em todas as áreas minguar, no Brasil, o carnaval dá certo sem trazer nenhum benefício social. Por exemplo, reclama-se muito dos estádios para a Copa do Mundo que serão utilizados vez ou outra, em determinadas regiões mais afastadas, para jogos e outros eventos, mas ninguém reclama dos sambódromos, construídos com dinheiro público e que são utilizados apenas uma vez ao ano.

            É certo que o carnaval faz parte da cultura popular do brasileiro, todavia o interpreto como uma época de exageros. Parece que tudo pode. Não há dignidade ou caráter que se sobressaia ao excesso.           Não sou, nunca fui e nem pretendo ser moralista. O que não posso aceitar é ver crianças e jovens apoiados pelos pais se acabando no álcool e, o pior, acreditando que podem fazer isso nessas épocas.

            Em tempos de Carnaval, mesmo sem beber, quem fica de ressaca sou eu. Só por ver tantas barbaridades. Procuro me isolar para evitar o estresse. Não vejo futuro promissor para nosso país. Não por que todo mundo deixe de vislumbrar isso, mas pelo fato de o brasileiro, na sua maioria, não ter prioridade para exigir o que lhe é devido. Ele prefere festejar a lutar. Vestir uma fantasia e ser, por alguns momentos, quem ele gostaria de ser de verdade. Só que não é… e não entende isso.