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Qual educação você quer para seu filho?

2 jun

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Em todas as reuniões escolares, antes chamadas de “Reuniões de Pais e Mestres”, percebi que a maioria dos responsáveis que nos visitam têm bons alunos como filhos. Das duas uma: ou os pais ligados à escola são mais ativos no crescimento dos filhos, ou os maus alunos também são frutos de pais desleixados, crentes de que a escola pode realizar sozinha o milagre da educação.

            O grande problema que afeta o processo é exatamente a participação dos pais (ou a falta de participação deles). Não se vê nas escolas a interação assídua dos responsáveis, algo inadmissível. O acompanhamento deles diminui à medida que os filhos crescem. Quando a garotada chega ao Ensino Médio, então, parece que só a escola é suficientemente capaz de levar o estudante à evolução de que precisa. Muitos pais não conhecem sequer os professores de seus filhos, não têm contato direto com a coordenação pedagógica e só aparecem no final do ano, quando as coisas já não vão bem.

            Defendo a tese de que o principal problema da Educação Brasileira são os maus pais. Refiro-me àqueles crentes que a criação dos filhos ocorra apenas pelo oferecimento de mimos caros, de regalias, viagens. A criação dos filhos deve se pautar na produtividade e recompensa. Se for um bom aluno, fizer os deveres da escola e o rendimento for bom, que seja recompensado. Existem pais, acredite amigo(a) leitor(a), que vão às reuniões reclamar que não conseguem acordar os filhos, de manhã, para irem à escola. A meu ver, estão completamente dominados e sem qualquer autoridade. Dessa forma, o(a) menino(a) chega à escola acreditando que pode mandar em tudo e em todos; isso com a assinatura dos responsáveis.

            Já atendi um caso de uma mãe que chorou numa dessas reuniões dizendo ser incapaz de controlar o filho, que dita as regras da casa e, como o pai é ausente, expõe o que a mãe deve fazer. Além disso, ainda a ameaça com gritos e palavras de ordem. As atitudes do garoto nada mais são do que fruto de uma criação errônea. Não foram colocados limites quando preciso.

            O Sistema Educacional, fruto de regras impostas pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, é um dos mais burocráticos. Ela faz de tudo, até o impossível e improvável, para que os piores alunos sejam aprovados. A lista de exigências é tamanha que se chega a exigir, para dizer uma das anomalias, o relatório mensal detalhado dos alunos que não conseguem notas. Mesmo se pelo menos 80% dos professores reprovarem determinado discente, ainda assim deverão provar por a+b+c+d que o referido não tem condições de avançar de ano escolar. As escolas precisam ter autonomia. Supervisão de ensino deveria ser do sistema como um todo e não de casos pontuais.

Nessa mais de uma década de magistério, percebi algumas anomalias no processo educacional brasileiro. Ao analisá-lo de forma comparativa com países que se sobressaem na educação, como Coreia do Sul, Finlândia e China, notei que estamos há anos-luz do progresso. O Brasil investe muito na área, mas de uma maneira ineficaz.

            Enquanto aqui, se for realizada uma enquete sobre qual o problema maior da educação, minha certeza é de que os professores responderiam que os baixos salários refletem diretamente na péssima qualidade do ensino. O que não tem nada a ver. Um bom profissional fará o seu trabalho ganhando bem ou mal, pois lecionar foi a carreira escolhida. Não é por um salário pífio que um médico da Rede Pública de Saúde poderá deixar um paciente morrer na míngua.

            Salários altos para professores, definitivamente, não melhorariam a educação. Como sempre defendi: os salários devem ser dignos para professores que produzem bons resultados. Professor ruim (faltoso, ignorante na teoria e na prática etc) não pode ganhar bem. A igualdade não pode existir aqui. Um grande profissional da área precisa de uma boa formação escolar; desde o ensino de base até o superior. Ainda deve ter no currículo atualizações como cursos de especialização e, por que não dizer, até mestrado e doutorado. A educação é mutante. Há uma necessidade contínua de se reciclar e isso não acontece na maioria das vezes aqui.

            Portanto, para que a educação sofra um salto significativo, há a necessidade peremptória de os pais diminuírem a distância entre a casa e a escola. Nós, educadores, precisamos deles para dar continuidade ao processo de amadurecimento dos filhos. Casa é uma extensão da escola. Se o tempo passar, pode ser tarde demais. Quem é o seu filho? E o que a escola em que ele estuda pode oferecer? Essas são as perguntas básicas para todos os responsáveis.

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Rio+20 e a hipocrisia velada

27 jun

Após 20 anos da realização da ECO-92, o Rio de Janeiro recebeu a Rio+20. Proporcionada pela Confederação das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, os temas principais foram a economia verde em relação ao  desenvolvimento sustentável e à erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

            Representantes de quase todo o mundo compareceram. Apenas o Grupo dos 7, composto por Estados Unidos, Itália, Reino Unido, Alemanha, Japão, Canadá e França se abdicou em participar ( a França compareceu).

            Os países desenvolvidos acreditam que não podem impedir que as grandes indústrias, por exemplo, poluam o Meio Ambiente. O progresso depende da agressão desenfreada ao próprio habitat. Por isso, as superpotências nem deram as caras por aqui.

            A exemplo dessa atitude, existe o Protocolo de Kyoto, aberto para assinaturas em 1997, e em vigor desde 2005, que versa sobre as regras para a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera o que ocasionaria o aquecimento global. Na sua gênese, houve uma tremenda discussão, pois os Estados Unidos, maior potência mundial, declarou ser contra a limitação da industrialização em prol da Natureza.

            Dessa forma, iniciaram-se outros debates que tentaram responder ou apresentar soluções aos países poluidores. Seria inadmissível saber que a Terra esteja em extremo processo de degradação e não fazer nada para conter o problema.

            No entanto, países poluidores, como China e Estados Unidos, se recusam a assinar qualquer tipo de proteção ao Meio Ambiente, somente as discussões acaloradas e apaixonadas ocorrem pelos cantos do mundo. A maior, na Conferência Rio+20.

            Sabe-se que os poluentes proferidos pela China já atravessaram, principalmente pelo ar, os quatro cantos do planeta. E, mesmo assim, com essa invasão de território pela sujeira, continuamos vendo pelos canais televisivos a névoa escura que cobre os orientais. Não há previsão nem interesse em diminuir o que pode ser o caos no futuro.

            A Rio+20 causou uma boa impressão no mundo, mas duvido que alguma providência possa ser tomada. Ademais, qual país vai querer deixar de crescer economicamente para proteger o Meio Ambiente?  Nenhum. Para mim, a tal conferência não passou de uma proposta política cuja hipocrisia velada deu o tom da inércia dos governos em não querer proteger absolutamente nada… a não ser o próprio bolso.