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Papa Francisco e a restauração da Igreja Católica

24 jul

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O Brasil vive um momento histórico. Os olhos do mundo estão voltados para cá; e não é por que sediará grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, mas pelo grande teste na organização da Jornada Mundial da Juventude, um evento de menores proporções em relação aos outros dois, porém que recebe pessoas de praticamente todos os cantos do planeta.

            Além disso, também apresenta para o mundo o novo papa. Eleito em março deste ano, Jorge Bergoglio, o Francisco, iniciou uma reestruturação na Igreja Católica. Após a morte do papa João Paulo II, a Igreja viveu tempos de estagnação e mesmice. Enquanto João Paulo II era um papa carismático, bem quisto por todo o mundo, seu sucessor Bento XVI não conseguiu trilhar os mesmos caminhos. Pelo contrário. Com discursos complexos e repletos de teorias político-religiosas, quase não pregava; defendia teses.

            Nem por isso podemos deixar de afirmar que João Paulo II foi apolítico. Na realidade, ele foi o papa que viveu e buscou se posicionar a respeito, dentre outras crises mundiais, da Guerra Fria, pela qual o mundo estava se dividindo em duas partes, cada uma com sua ideologia.

            Apesar de muitos acreditarem que a religião não deve se misturar com a política, a Igreja de João Paulo II teve papel fundamental na reconstrução do mundo. Ele lutou contra o comunismo na Europa e ainda condenou o marxismo. Também foi peça fundamental para restaurar o diálogo entre Argentina e Chile; os países brigavam a respeito dos limites territoriais do Canal de Beagle.

            O papado de Bento XVI, hoje, pode ser visto como uma lacuna entre João Paulo II e Francisco. Com ele, a Igreja não vencia mais se defender de acusações de pedofilia – em relação a isso, a BBC de Londres elaborou um documentário acusando-o de acobertar os crimes. Ao ser eleito, já teve que conviver com as críticas de que praticamente todos os papas eleitos eram europeus, o que dava à Europa poder absoluto.

            Cansado, o catolicismo começou a perder fiéis. No Brasil, por exemplo, em 1980, 90% de sua população eram católicas. Hoje, 64% consideram-se assim. Foi perdendo espaço para os protestantes, que começaram a usar discursos emotivos para as camadas mais pobres da sociedade, atingindo, assim, seus anseios.

            Hoje, o papa Francisco é a luz da Igreja e a JMJ carimba o início de um papado de esperança, união e, por que não dizer, de restauração da Igreja Católica. Desde sua eleição, manteve-se no Vaticano criando estratégias para moralizar a Igreja. A começar pelo setor administrativo. Algumas comissões laicas foram criadas para investigar desvios de dinheiro, inclusive no Banco do Vaticano.

            Começou a ganhar os fiéis a partir do momento em que abdicou das riquezas e da ostentação. Nada de ouro e pompa. Por ser jesuíta, com alma franciscana, quer estar mais próximo dos pobres e oprimidos. Não são as pessoas que devem ir à Igreja, mas, sim, a Igreja é que deve buscar as pessoas. Na acepção da palavra “religião”, agora sim é que os povos serão ligados por meio de uma figura carismática, humilde e confiável: papa Francisco. O mundo precisa dele.

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Imbróglios na educação

26 jul

Em recente discurso na Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a presidente Dilma Rousseff, rodeada de juvenis, afirmou que um país não deve ser julgado pelo valor do seu Produto Interno Bruto (PIB), mas pela sua eficácia em “proteger o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes”.

            Coincidentemente, horas depois, o Banco Central divulgou nota, informando que o PIB brasileiro não vai crescer como deveria. O discurso da presidente soou como uma demagogia, um tapar o sol com a peneira, ou, se está no inferno, abrace o inimigo.

            Mas, de fato, para que ter um PIB que eleva o Brasil à categoria de 6º potência econômica do planeta se 27% da sua população é composta de analfabetos funcionais? É como se, a cada quatro pessoas que tivessem de ler uma bula de remédio para salvar a vida, uma morresse por não ter tais condições. É muita gente. Em termos gerais, representa quase a população de dois Chiles sem quaisquer condições de ler pequenos textos e realizar pequenas operações matemáticas.

            Dilma tentou driblar as críticas para não sofrer ainda mais com a queda do montante nacional. E, para piorar a situação, ainda divulgou que aumentará para 10% os investimentos em educação. Isso mesmo, leitor(a), piorar.

            Um dos erros mais crassos de países emergentes é elevar os gastos com educação, como aumentar o salário dos professores e colocar equipamento nas escolas. Isso porque não adianta aumentar salários de muitos professores incompetentes nem mesmo instalar novas tecnologias nas escolas se o material humano não sabe utilizá-las. Já vi em escolas professoras não saberem ligar um computador.

             A China, segundo dados oficiais, investe menos de 4% de seu PIB e apresenta ao mundo a melhor educação. Dinheiro bem investido. As Nações Unidas/UNESCO divulgaram em seu site que os gastos com a educação no Brasil superam a média dos países desenvolvidos, como Canadá (4,6%), Alemanha (4%), Coreia do Sul (4,5%), Japão (3,3%).

            Mais dinheiro investido na educação brasileira, da forma como é feito, dará margem a mais desvios, corrupção e outros crimes tão tradicionais na “Pátria de Chuteiras”.

            Outro exemplo claro foi o incentivo do ex-presidente Lula, que não entende nada de educação, impulsionar a abertura de incontáveis cursos a distância. A sociedade recebe milhares de pessoas com curso superior, mas não tiveram uma formação adequada. A intenção do Governo Federal era melhorar os índices de indivíduos com diploma. Mas de que vale isso se a sociedade não sofre uma mudança considerável nos padrões intelectuais?

            O certo é que nossos governantes, talvez por desespero, não tenham aptidão para realizar um bom trabalho na área educacional. Dinheiro não seria problema, o problema é a capacidade dos gestores em aplicá-lo. Por que, por exemplo, não pagar muito bem a doutores para atuarem nas séries iniciais, como ocorre na Coreia do Sul? Ou deixar que as empresas particulares invistam na educação superior para formar profissionais aptos a trabalharem nelas mesmas, como ocorre em alguns países desenvolvidos? Ou por que os alunos que entrarão no Ensino Médio não podem escolher as matérias relacionadas ao seu dom, como acontece nos Estados Unidos?

            Quando o investimento sair de fato, seremos um país que joga dinheiro fora, um país que continua fazendo chover no molhado. Lamentável.