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Batman: uma alma controlada pelo caos

8 ago

Há dois anos, quando o diretor Christopher Nolan apresentou “Batman: o Cavaleiro das Trevas” para o público cinéfilo, todos ficaram estarrecidos pela contundência nos atos do anti-herói Coringa. A plateia estava despreparada para conhecer o início de um caos que daria margem a uma verdadeira batalha filosófica presente na última obra da trilogia mais esperada dos últimos tempos.

Em “Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge”, o enredo convida o espectador a refletir sobre o maniqueísmo necessário para a própria existência humana. Ao expor a antítese e a dualidade entre o bem e o mal, que por muitos momentos nos confunde, é impossível notar claramente quem é vilão e quem é o herói.

Enquanto a intenção do Coringa, no segundo filme, era provar que o bem completa o mal, e a recíproca é verdadeira, além de promover a reflexão sobre o papel de ambos numa sociedade em que os humanos podem mudar de lado a todo instante, o vilão Bane choca o público ao defender que a opressão feita pelos mandatários leva a sociedade a mais absurda desigualdade.

Como um Robespierre marginalizado, Bane faz crer que a lealdade é o principal motivo que leva o indivíduo a praticar os mais solenes atos de crueldade em prol do idealismo, mesmo que utópico. Assim, o caos se faz reinar, as forças controladoras do Estado se veem incapazes de retomar o caminho normal e o povo começa a se adaptar a um modus vivendi diferente daquele acostumado.

O roteiro é magnífico, pois apresenta reflexões acerca da moralidade, dos valores e perspectivas, da luta pelas causas e do amor incondicional. Cada personagem tem sua real importância. O Comissário Gordon (Gary Oldman) é o exemplo de honestidade e probidade; o Mordomo Alfred (Michael Cane) é figura paterna e conselheiro de Bruce Wayne (Cristian Bale), pois tenta indicar caminhos para que o alterego do patrão, Batman, não se perca em suas missões; Bane (Tom Hardy) é o vilão que, a cada close, nos transmite a noção de uma figura humana e leal e a Mulher-gato é fruto de uma atuação mágica da atriz Anne Harthaway.

Se o mundo desejado precisa do poder do Estado e a glória dos Augustos é sorver o sangue dos mais humildes, há de se refletir sobre se viver uma mentira que toma proporções gigantescas a ponto de impor novos rumos à sociedade.

Com pequenas modificações em relação à história original, o filme deixa um gostinho de quero mais, apesar da promessa de Nolan em encerrar a participação como diretor. Não creio que a saga termine por aqui. Há muita riqueza na história do personagem mais rico das HQs. Além de sua composição estética, as participações dos outros personagens também engrandecem os ideais altruístas de Bruce Wayne e do seu alterego Batman. Vale assistir ao filme com a mente aberta e disposto a pensar em caminhos nada convencionais, que não são propostos pelas escolas. A trilogia Batman pode ser considerada como uma belíssima referência ao clássico “Poderoso Chefão”, dentro dos limites da modernidade, respeitadas as devidas proporções.

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