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Seja você mesmo o medo

5 abr

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Tempos atrás redigi um texto falando sobre o medo, este sentimento que muitas vezes corrói a alma e leva quaisquer animais a se retraírem a ponto de não conseguir fazer mais nada. Com o ser humano é um pouco diferente. À somatória do medo, existem outros sentimentos que podem amplificar a necessidade de sobrevivência ou mesmo repulsa àquilo que, num primeiro instante, pode causar calafrios e até asco.

            Uma barata, por exemplo, pode se tornar um monstro assustador, capaz de devorar a vítima humana de uma vez só. Talvez esse inseto seja o fator de maior causa de pavor na humanidade. Provou-se que ela não é capaz de fazer mal algum a quaisquer pessoas, mas, mesmo assim, espanta.

            Outro caso interessante aparece nas Histórias em Quadrinhos, especificamente na do Batman. Quando criança, o jovem Bruce Wayne viu os pais serem assassinados numa tentativa de assalto, nas ruas de Gotham City. Desesperado e órfão, foi criado pelo mordomo Alfred Pennyworsth. Em uma de suas andanças, encontrou uma caverna e caiu nela. Os morcegos apareceram e, num primeiro momento amedrontado, o jovem refletiu sobre os caminhos a seguir. Por que não usar o seu medo para assustar outras pessoas?

            Foi assim que surgiu a ideia de se tornar um dos heróis mais importantes das HQs: o Homem-Morcego. Antes de atacar, Batman causa medo, ou seja, o próprio medo que sente transferido a outras pessoas que, a priori, não acusariam senti-lo. Eis um dos pontos filosóficos de seu processo de criação. A meu ver, um dos personagens mais densos da cultura geek.

            Há de se permitir sentir o medo. Ele faz bem até certo ponto. Esse sentimento ativa um mecanismo do corpo que nos faz mais aptos à sobrevivência, desde que não trave as ferramentas de movimento. Uma pitada de medo é bom. Mas por que não transferir isso às outras pessoas que merecem senti-lo? Merecem?

            Muitas vezes sim. Por quantas vezes passamos por situações discordantes e acachapantes? Quantas vezes não nos tomamos vencidos pela ira em saber que outra pessoa nos fez sentir mal ou até mesmo que nos fez mal ou mesmo que fez mal a quem amamos? Seria mais prudente fazê-los sentir medo. Um medo que pode levar à reflexão e, por que não dizer, ao conserto do que estava errado. Poderíamos respirar aliviados.

            Melhor do que amedrontar-se, é fazer com que o inimigo sinta os calafrios na alma. Seja você mesmo o medo que não gostaria de sentir.

Heróis e vilões

22 abr

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Sou um fanático por super-heróis. Tento analisá-los a partir da formação da essência humana. Desde crianças, crescemos com a visão maniqueísta da sociedade. O bem e o mal estão, a todo instante, presentes em nossas vidas. Nossos pais sempre nos amedrontaram com os ataques do bicho-papão, caso não seguíssemos à risca as regras domésticas e escolares. Qual criança nunca teve medo do monstro que morava embaixo da cama ou dentro do armário? Todas essas figuras representaram vilões na nossa vida, ou seja, o mal.

            Já nossos pais eram as referências do bem. Eles nos acolhiam, protegiam, amavam; eram nossos super-heróis. Pelo menos essa é a lei natural da vida, com exceção de alguns casos. Nossa história é uma narrativa linear, com heróis, mocinhos e vilões, presentes o tempo todo. Precisamos ser as melhores pessoas o tempo todo para completar os espaços no nosso trabalho, em casa… não podemos ser vilões, apesar de que, em alguns momentos, devemos ser, como ao chamar a atenção de um filho, de um aluno etc.

            Até nas telenovelas os enredos não mudam. Todas elas, por toda a história, sempre apresentaram os heróis(ínas), mocinhos(as) e vilões(ãs). As tramas são sempre as mesmas, desde que, no século XIX, os escritores procuraram escrever obras de teor mais fácil para a burguesia que havia alcançado o poder.

            A Bíblia, livro mais vendido no mundo, também, do começo ao fim, apresenta o bem e o mal interligados. Adão e Eva eram puros até que, irresistível e sedutoramente, ela caiu na tentação da maléfica serpente, que lhe deu o fruto proibido. A partir desse momento, apesar do Senhor tê-los alertado, a maldade surgiu na alma e, assim, fez parte da essência humana. O tempo foi passando e, vendo que a situação estava se tornando caótica, Deus pediu a Noé que construísse uma arca e salvasse um casal de cada ser vivo. O Senhor estava decepcionado com o teor da malignidade que os homens alcançaram e lavou a Terra com a enchente bíblica.

            Com o marketing e os estudos mercadológicos, surgiram os super-heróis e os vilões que temos visto nos filmes hoje. Antes apenas em histórias em quadrinhos, hoje alçaram voos bem maiores no quesito público/lucro. Os bonzinhos não existem sem os maldosos. Precisamos dos dois, pois eles representam a nossa essência. Num famoso diálogo entre Batman e o Coringa, na película Batman – Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, o herói pergunta: “Por que você quer me matar?”, e o palhaço responde: “Matar você? Eu não quero matar você. Nós precisamos um do outro”. Dessa forma, podemos entender claramente a relação maniqueísta: de que adianta o mal sem o bem e vice-versa?

            Portanto, engana-se quem pensa que os filmes de heróis que arrecadam bilhões no cinema sejam destinados apenas ao público infantil. Essas figuras representam, por que não dizer, filosoficamente, uma explicação para nossa formação humana. Heróis e vilões são a representatividade da nossa essência. Precisamos deles para distrair nossa mente e até nos vemos na pele de um deles. Faz bem para a alma e alivia as nossas dores; é sempre bom viajar nos caminhos lúdicos que a vida nos oferece.

Eu queria ser um super-herói

13 nov

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Sou fascinado por super-heróis e vilões. Desde a mais nobre essência artística da criação até as transformações que ocorrem com o tempo. Creio não existir uma única pessoa que nunca tenha se visto na pele de um ser com superpoderes. Crescemos assim, acreditando que o bem e o mal vivem juntos e são necessários para cobrir as lacunas da nossa existência. Essa visão maniqueísta nos é apresentada desde que começamos a nos formar como pessoas. Quando crianças, precisamos ser bons, pois o bicho-papão pode vir nos pegar. A Igreja prega o conflito constante entre Deus e o Diabo etc. Assim, grande parte da nossa capacidade de pensar converge nessa visão antagônica de qual caminho seguir.

            Inúmeros super-heróis nos abastecem com histórias lúdicas. Podemos vivê-las, imaginando quem gostaríamos de ser. O maior criador desses tipos de personagens é Stan Lee. Nascido em Nova Iorque em 1922, criou os principais personagens da Marvel Comics, transformando-a na maior empresa do ramo no planeta. Sua concorrente direta é a DC Comics.

            Lee criou personagens mais complexos, cômicos e humanos. Desses que somam seus poderes aos problemas diários, como precisar pagar uma conta e não ter o dinheiro para isso. Algumas de suas criações são: Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Incrível Hulk, X-Men, Homem de Ferro, Demolidor etc.

            Reverencio o criador e as criaturas, pois quem não gostaria de ter uma armadura de ferro (na realidade titânio) ou uma força que lhe oferecesse a capacidade de ser indestrutível?

            Confesso que preferiria o poder do professor Xavier, evidentemente longe da cadeira de rodas. Imagine-se com o poder de mudar o mundo com a força do pensamento. Não há outro herói que possa derrotá-lo. Além disso, quantas coisas maravilhosas poderíamos fazer, como acabar com uma guerra?!

            O objetivo principal de se criar um herói é fazer com que o ser humano comum tenha a lacuna da impotência ou da incapacidade preenchida. Tudo o que não conseguimos fazer, eles conseguem com facilidade. E nem por isso deixamos de ser heróis do dia-a-dia. Cuidar da família, trabalhar duro para o sustento, pagar impostos… Haja poder para tudo isso. Queria ver se o Homem de Ferro conseguiria ministrar 14 aulas num dia ou se o Batman teria a capacidade de permanecer acordado por toda a noite preparando provas ou aulas. Cada um como seu superpoder.

Medo

5 abr

Medo

Medo. Não há uma só pessoa que não tenha se deparado com esse sentimento tão contraditório. Crescemos com ele. A sociedade o impõe também como forma de regrar e exigir que os ditames sejam cumpridos. Alguns o têm como bloqueador da vida. Sentem-se impedidos de fazer muitas coisas por medo de tentar. Outros, assim como eu, têm o sentimento como mola propulsora para alcançar os objetivos.

            Cada um o encara de uma forma e em inúmeros casos podemos notá-lo de maneiras diferentes. Na criação de um dos maiores heróis das Histórias em Quadrinhos, Batman, seu alterego Bruce Wayne, ainda criança, cai num buraco profundo e se depara com a causa de seus maiores medos: morcegos. Passados anos, Wayne recluso em reformatórios para detentos de alta periculosidade por razões particulares – já que queria conhecer a essência dos criminosos para, de alguma maneira, combatê-los.

Treinou de modo intensivo na Liga das Sombras, na qual, além da filosofia oriental ainda aprendeu karatê shotokan. De volta a Gothan City, buscou uma forma de amedrontar seus inimigos. Assim, usou o seu medo para aterrorizar as pessoas. Definiu as vestes de morcego para causar pavor nos seus inimigos. Além disso, a máscara não era apenas para esconder sua identidade, mas para proteger as pessoas de que gostavam.

Quem de nós nunca se viu numa situação que causasse pânico? Até mesmo, quando entramos em casa, tudo escuro, parece que sentimos que alguém está ali, à espreita. Até chegamos a nos arrepiar.

O medo é um estado de atenção que ocasiona o receio ao se fazer alguma coisa. Quando o sentimos, há uma liberação de adrenalina no nosso organismo que acelera os batimentos cardíacos. Por vezes, deixamos de sentir dor e esquecemos nossos problemas. Queremos apenas passar pela situação amedrontadora.

Outro fato interessante está presente na obra “Não há dia fácil”, no qual o chefe da expedição que matou Osama Bin Laden conta sua história como membro dos Seal, facção da Marinha norte-americana que atua na água, terra e ar. Em missão, o soldado sentia muito medo de morrer, mas usava isso como fator surpresa para abocanhar seus inimigos. Assim o fez em inúmeras missões até ser convocado para ceifar a vida do maior terrorista de todos os tempos.

Quando o medo é exacerbado, ultrapassa os limites da sanidade pode tornar-se uma fobia. A fobia já impede a realização de inúmeras atividades diárias, desde as mais simples. Há casos em que pessoas não saem de casa porque têm medo de encontrar baratas na rua.

De qualquer forma, ele faz parte das nossas vidas. Para mim, ele é um belo impulso para que eu realize meus sonhos. Não tenho medo de fracassar, mas de não fazer. Pelo menos tentei. O medo não me priva, mas me incentiva.