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Não parem o Rodrigo Hilbert!

27 jul

Rodrigo

Não, não parem o Rodrigo Hilbert. Deixem o cara mostrar que, mesmo sob o glamour da TV, é possível ser um homem capaz. Muito do que ele faz sempre foi tratado como “coisa de mulher”, mas o foco não é isso. O cara é multifuncional. Não há o que ele não faça. O perigo é isso se tornar padrão e nós, restante dos homens da humanidade, estaremos fadados ao ostracismo.

Ontem mesmo eu tentei arrumar um dos sanitários da minha casa. Uma arruela de um dos parafusos que o prendiam ao chão havia se partido e o referido estava cambaleando. O melhor que consegui foi arrancar o sanitário do chão e causar um alagamento no banheiro. Rodrigo construiu uma casa na árvore para os filhos com uma facilidade tremenda.

O cara faz crochê. Deus do céu! Quem faz crochê com menos de 60 anos? Ele fez com a maior naturalidade do mundo. Eu não saberia nem por onde começar. Aliás, eu não saberia nem diferenciar com exatidão crochê e tricô. Que “homão”!

Ele se apresenta como bom pai, marido, cozinheiro, costureiro, construtor de casinhas na árvore… eu não consegui fazer nada disso. O máximo que faço é cozinhar direitinho… e olhe lá!

Está surgindo a Síndrome Rodrigo Hilbert! Estou quase fazendo tratamento por isso e não é pelo padrão de beleza. Minha mãe diz que sou lindo e isso é o que importa nesse momento – ao menos para acalentar a angústia.

Não duvido nada que nas próximas edições do programa ele ensine a voar. O cara deve até voar! O que a gente vai fazer agora? Impossível ser Rodrigo Hilbert. Não dá! Ainda mais com suporte da Globo!

Brincadeiras à parte, não parem o Rodrigo Hilbert! Na verdade ele apenas representa um ideal lógico de como as coisas devem ser e de que tabus devem ser derrubados. Ele é um modelo de que o mundo está mudando e que os homens não devem colocar limites ou rotular seus afazeres. Há de sermos completos e polivalentes. Obrigado, Rodrigo, por abrir a nossa mente e proporcionar tantas reflexões. Prometo melhorar!

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Nossos medos

14 jul

Medos

O ser humano nasce com medo. Cresce sendo assombrado por milhares de situações que nos são impostas por todo o tempo. Uns têm mais medo do que os outros. Para alguns, o sentimento de perda é aterrorizante, para outros, a falta de pão. A sociedade é impregnada por dogmas, paradigmas e uma enxurrada de pontos costurados na pele de cada um de nós.

Por vezes, encontramos pessoas que nos habilitam a sermos melhores e mais felizes. Mas também há aquelas que aparecem como agouros do mal. Dessas tenho medo. Chegam devagar, sorrateiras, furtivas e, no fim, levam todas as nossas energias positivas a ponto de nos sugar até o brilho da alma.

Maquiavelicamente, dominam nossa confiança e, quando percebemos, já estamos mortos… metaforicamente mortos. Essas pessoas galgam seus objetivos extraindo o melhor das outras e, a partir disso, sempre me pergunto se alguém tem condições de mudar… o ser humano muda? Ou até onde o caráter dos indivíduos pode ser remodelado? Penso que tudo o que fazemos nos impele consequências.

Quem somos é uma construção diária, quem seremos parte das nossas escolhas. Somos livres para fazer o que bem entendermos e, com isso, consequências indesejadas podem surgir. Nossos atos determinam quem somos e nossa personalidade é talhada por aquilo que fazemos e com quem convivemos.

A filosofia existencialista de Jean-Paul Sartre afirma categoricamente que a essência dos indivíduos é não ter essência imediata, mas sim construída, ou seja, a sua história. “A existência precede a essência”, disse em muitas de suas falas. Suas relações sociais são pontos fundamentais para a construção e lapidação do “eu”. Assim, produzem seus próprios ambientes e sua condição existencial é predeterminada.

John Locke defendeu a ideia de que a criança aprende a partir daquilo que lhe é oferecido, nisso compreendem-se todas as suas vivências. Quando é exposta a um ambiente degenerado, tende a crescer com valores (sem nosso julgamento de certo e errado) destoantes. Um importante fragmento de sua obra: “é possível levar, facilmente, a alma das crianças numa ou noutra direção, como a água”. Quem ela será depende daquilo que lhe foi apresentado. É um pensamento externo que se internaliza.

Em consequência disso, temos todos os nossos medos. Mas os piores deles é ter medo do futuro e esperar algo de alguém. Não temos como prever as atitudes do outro e a expectativa é a mais cruel das ansiedades. Como vier sem medo? Impossível! Talvez o segredo seja tentar compreender a desordem do caos e nada mais.

Cóleras de Facebook, tatuagens e outras guerras

12 jun

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Em tempos de crise em todos os setores sociais, torna-se complicado tecer qualquer opinião sobre assuntos polêmicos. Acredite se quiser: tem gente hoje em dia que defende partidos políticos e, além disso, ainda crê que há inocentes nessa balbúrdia toda. Os filósofos do Facebook perdem (ou acham) tempo defendendo partidos envolvidos em esquemas de corrupção e, alguns, fazem o pior: acreditam que uma pessoa sozinha pode salvar o Brasil da bagunça encalacrada na qual se meteu.

               A defesa por esquerda e direita perde o sentido quando analisamos as ideologias partidárias. Quando se dividiu o Parlamento Francês em duas partes, no século XVIII, duas frentes se formaram: a Esquerda, camada mais pobre que tentava tirar um pouco de poder dos mais ricos, e estes, a Direita, que não queriam se misturar com as classes mais baixas. A Esquerda, então, representava a classe trabalhadora liberal e a Direita, os conservadores defensores de um comportamento tradicional.

       No Brasil, não há esquerda ou direita a não ser na nomenclatura. O PT – ideologicamente de esquerda – não foi liberal em seu governo, tanto até que tinha o mesquinho PMDB na base. O PSDB é um partido decepcionante. 20 anos em São Paulo e até agora não corrigiu absolutamente nada. Pelo contrário, todos os dias as coisas estão piores. Assim, como defender A ou B? Parece que esses caçadores de ilusão vivem numa redoma.

             Outro ponto a se lamentar é o caso do garoto que teve sua testa marcada com uma tatuagem “Eu sou ladrão e vacilão”. Alguns defendem a atitude do tatuador e outros falam sobre a tortura pela qual o garoto passou, mas quase ninguém analisa a ineficiência do Estado. Bandido bom não é bandido morto, mas sim ressocializado, com um sistema carcerário digno para integrar o criminoso de volta à sociedade. Aqui, discursos de ódio impregnam nos quatro cantos. Clichês do tipo: “Não gostou? Leve o bandido para sua casa”, “cadeia é para o cara sofrer”,” Só não fazer besteira que ele  não vai para lá!” etc. Quanta besteira!

           Falta a equidade por parte do Estado. Tive, há dois anos e meio, um revólver apontado para mim e a única coisa que pude fazer é entrar na linha de fogo para proteger minha mãe. Um dos assaltantes foi morto pela Polícia Militar dois dias depois; o outro, menor de idade, foi capturado e, semanas depois, estava solto. Eu não recebi apoio do Estado, enquanto o menor foi acompanhado. Falta equidade! Ambos devíamos ser apoiados pelo Estado. Eu fui vítima e defendo que o menor deveria ter sido ressocializado para não cometer crimes ainda piores. Não, não quero levá-lo para casa.

          Estamos cansados de tanta pregação e pouca ação. Todos os brasileiros somos anuentes a um sistema político que não leva a lugar algum. Paremos, então, de gastarmos energia com discussões pífias e busquemos alternativas para a sociedade. Alternativas que funcionem como ferramentas de fato e não balelas de Facebook. Busquemos uma sociedade igualitária e menos burra! Enquanto isso não acontece, a sociedade agoniza e temos tatuada na nossa testa, todos os dias, a chancela de subordinados do sistema.

Crise de identidade

2 mar

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O povo brasileiro merece ser objeto de pesquisas científicas.  É incrível como consegue viver em situações extremamente radicais e ainda achar tempo para comemorar. Deparamo-nos com uma crise político-econômica sem precedentes. A cada dia, o Brasil dá passos para trás. Acreditar em qual político, se quase todos estão com nomes em listas comprometedoras?!

O Brasil é uma das dez potências mundiais; reconhecidamente é uma força dentre os países economicamente produtivos. O setor turístico é inigualável e atrai milhões de pessoas, porém não aproveita o marketing adequado. A grandeza territorial é um dos fatores para proporcionar uma variedade cultural e belezas naturais incomparáveis. Porém…

            O Poder Público é ineficiente demais e, por isso, não consegue administrar um povo carente pelos bens necessários e indiscutíveis, como educação, saúde, moradia, transporte, lazer… Vivemos uma história recente que nos reafirma diariamente a fragilidade de um regime democrático incompetente e cheio de falhas. O poder jamais emanou do povo. Aliás, parece que os brasileiros ou gostam de ser ludibriados ou de tanto sofrerem enganações já estão calejados e não se preocupam mais com o que pode acontecer.

            Em 2013, quando explodiram as manifestações populares por conta dos famigerados 20 centavos, acreditou-se que a luta era por direitos básicos para a população. Tudo balela! Em meio aos transtornos administrativos causados pelo Governo Dilma Rousseff, buscou-se uma maneira de criar situações para protestar e bater panelas. A presidente caiu e outro assumiu seu posto.

       Vemos dia após dia as mazelas administrativas e a falta de atenção ao povo, principalmente aos mais carentes. E é surreal perceber o quão inócua a população se apresenta frente aos ditames apregoados pela nova gestão federal. Como aceitar um governo que atesta todos os dias, claramente, que ascendeu ao poder apenas para se safar de constantes e graves denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro?! Todavia, agora, ninguém mais protesta; parece que está tudo muito bem.

            O brasileiro vive uma crise de identidade sem precedentes. Preparou-se para curtir e desfrutar do Carnaval, pouco se importando com os rumos que o futuro poderá tomar. Triste realidade de um país que vive maculado pela inércia, tornando-se, assim, uma piada de mau gosto. O que importa é a Portela campeã e nada mais.