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Cóleras de Facebook, tatuagens e outras guerras

12 jun

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Em tempos de crise em todos os setores sociais, torna-se complicado tecer qualquer opinião sobre assuntos polêmicos. Acredite se quiser: tem gente hoje em dia que defende partidos políticos e, além disso, ainda crê que há inocentes nessa balbúrdia toda. Os filósofos do Facebook perdem (ou acham) tempo defendendo partidos envolvidos em esquemas de corrupção e, alguns, fazem o pior: acreditam que uma pessoa sozinha pode salvar o Brasil da bagunça encalacrada na qual se meteu.

               A defesa por esquerda e direita perde o sentido quando analisamos as ideologias partidárias. Quando se dividiu o Parlamento Francês em duas partes, no século XVIII, duas frentes se formaram: a Esquerda, camada mais pobre que tentava tirar um pouco de poder dos mais ricos, e estes, a Direita, que não queriam se misturar com as classes mais baixas. A Esquerda, então, representava a classe trabalhadora liberal e a Direita, os conservadores defensores de um comportamento tradicional.

       No Brasil, não há esquerda ou direita a não ser na nomenclatura. O PT – ideologicamente de esquerda – não foi liberal em seu governo, tanto até que tinha o mesquinho PMDB na base. O PSDB é um partido decepcionante. 20 anos em São Paulo e até agora não corrigiu absolutamente nada. Pelo contrário, todos os dias as coisas estão piores. Assim, como defender A ou B? Parece que esses caçadores de ilusão vivem numa redoma.

             Outro ponto a se lamentar é o caso do garoto que teve sua testa marcada com uma tatuagem “Eu sou ladrão e vacilão”. Alguns defendem a atitude do tatuador e outros falam sobre a tortura pela qual o garoto passou, mas quase ninguém analisa a ineficiência do Estado. Bandido bom não é bandido morto, mas sim ressocializado, com um sistema carcerário digno para integrar o criminoso de volta à sociedade. Aqui, discursos de ódio impregnam nos quatro cantos. Clichês do tipo: “Não gostou? Leve o bandido para sua casa”, “cadeia é para o cara sofrer”,” Só não fazer besteira que ele  não vai para lá!” etc. Quanta besteira!

           Falta a equidade por parte do Estado. Tive, há dois anos e meio, um revólver apontado para mim e a única coisa que pude fazer é entrar na linha de fogo para proteger minha mãe. Um dos assaltantes foi morto pela Polícia Militar dois dias depois; o outro, menor de idade, foi capturado e, semanas depois, estava solto. Eu não recebi apoio do Estado, enquanto o menor foi acompanhado. Falta equidade! Ambos devíamos ser apoiados pelo Estado. Eu fui vítima e defendo que o menor deveria ter sido ressocializado para não cometer crimes ainda piores. Não, não quero levá-lo para casa.

          Estamos cansados de tanta pregação e pouca ação. Todos os brasileiros somos anuentes a um sistema político que não leva a lugar algum. Paremos, então, de gastarmos energia com discussões pífias e busquemos alternativas para a sociedade. Alternativas que funcionem como ferramentas de fato e não balelas de Facebook. Busquemos uma sociedade igualitária e menos burra! Enquanto isso não acontece, a sociedade agoniza e temos tatuada na nossa testa, todos os dias, a chancela de subordinados do sistema.

Crise de identidade

2 mar

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O povo brasileiro merece ser objeto de pesquisas científicas.  É incrível como consegue viver em situações extremamente radicais e ainda achar tempo para comemorar. Deparamo-nos com uma crise político-econômica sem precedentes. A cada dia, o Brasil dá passos para trás. Acreditar em qual político, se quase todos estão com nomes em listas comprometedoras?!

O Brasil é uma das dez potências mundiais; reconhecidamente é uma força dentre os países economicamente produtivos. O setor turístico é inigualável e atrai milhões de pessoas, porém não aproveita o marketing adequado. A grandeza territorial é um dos fatores para proporcionar uma variedade cultural e belezas naturais incomparáveis. Porém…

            O Poder Público é ineficiente demais e, por isso, não consegue administrar um povo carente pelos bens necessários e indiscutíveis, como educação, saúde, moradia, transporte, lazer… Vivemos uma história recente que nos reafirma diariamente a fragilidade de um regime democrático incompetente e cheio de falhas. O poder jamais emanou do povo. Aliás, parece que os brasileiros ou gostam de ser ludibriados ou de tanto sofrerem enganações já estão calejados e não se preocupam mais com o que pode acontecer.

            Em 2013, quando explodiram as manifestações populares por conta dos famigerados 20 centavos, acreditou-se que a luta era por direitos básicos para a população. Tudo balela! Em meio aos transtornos administrativos causados pelo Governo Dilma Rousseff, buscou-se uma maneira de criar situações para protestar e bater panelas. A presidente caiu e outro assumiu seu posto.

       Vemos dia após dia as mazelas administrativas e a falta de atenção ao povo, principalmente aos mais carentes. E é surreal perceber o quão inócua a população se apresenta frente aos ditames apregoados pela nova gestão federal. Como aceitar um governo que atesta todos os dias, claramente, que ascendeu ao poder apenas para se safar de constantes e graves denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro?! Todavia, agora, ninguém mais protesta; parece que está tudo muito bem.

            O brasileiro vive uma crise de identidade sem precedentes. Preparou-se para curtir e desfrutar do Carnaval, pouco se importando com os rumos que o futuro poderá tomar. Triste realidade de um país que vive maculado pela inércia, tornando-se, assim, uma piada de mau gosto. O que importa é a Portela campeã e nada mais.

O muro de Trump

27 jan

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A vitória de Donald Trump nos Estados Unidos deixou até mesmo os americanos boquiabertos. Depois de um presidente que deixou seu povo respirando com tranquilidade, surge um truculento, disposto a rasgar o mantra americano de liberdade. Dentre seus rompantes, há a ideia da construção de um muro para segregar de vez duas nações.

                Já tivemos uma péssima experiência sobre divisão de países com um muro em 1961. A Alemanha foi dividida em Oriental e Ocidental simplesmente por ideologia político-econômica. A Oriental, com a capital em Berlim, tinha como controladora a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Com a morte de Stalin, em 1953, houve uma violenta repressão e 3 milhões de pessoas fugiram para a Alemanha Ocidental. Não bastasse a divisão dos países, a capital Berlim também foi dividida.

                Em 1989, aconteceu a queda do Muro de Berlim. Tal fato representou também a derrubada de uma ideologia socialista que culminou no sofrimento de milhões de pessoas. Não quero defender aqui o capitalismo e suas desigualdades, mas todo regime imposto, seja político, religioso, ideológico ou econômico, tende a não dar certo; tende a levar o sofrimento.

                Com a derrubada do Muro, famílias se reencontraram, amores se reestruturaram, ideais se cruzaram. A Alemanha hoje é uma potência mundial por que teve condições e competência para se reerguer. Por mais que existam duas nações soberanas, México e EUA, a divisão da fronteira entre os dois países não é um marco apenas para a contenção de imigrantes, mas quase que um decreto da falência econômica dos latinos.

                Trump quer obrigar o vizinho a pagar a reforma da sua casa. Quer gastar U$ 20 bilhões e deixar a conta para o mais fraco. Sabe-se que o México depende dos EUA para sobreviver e a superpotência está usando sua influência para rebaixar e forçar os latinos a servi-la. 80% das exportações mexicanas vão para os EUA. Trump já começa a estudar meios para brecar a indústria mexicana por meio de aumento de impostos para produtos importados e redução de alíquotas para produtos nacionais.

                O muro é um símbolo da segregação e intolerância. A fiscalização da imigração poderia ser controlada, aumentada ou o que quer que os interesses americanos defendam, mas jamais o mundo deveria cair nessa onda de superioridade com a qual os EUA agora se blindam. Quem tem coragem de enfrentar Trump? Quem vai se posicionar? Parece que o México está sozinho. O muro não é apenas uma onipotência de fronteiras, mas uma barreira representativa a todos nós, latinos. Retrocedemos.

Fraudes da humanidade

14 dez

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Sou uma pessoa bastante reflexiva, por momentos até demais. Nesses pensamentos, muitas vezes inúteis, me pego analisando algumas coisas corriqueiras e percebo que a humanidade exalta aquilo que lhe convém e até mesmo chega a ser “maria-vai-com-as-outras”, seja lá de onde esse termo surgiu. A humanidade cria situações, elege suas coisas e objetos, designa aquilo que lhe convém. Vejamos:

  • O limão é um exemplo claro de uma das maiores fraudes da humanidade. É uma fruta pequena, feia e azeda. Não existe limão doce. Não é como o morango: a gente pode até comer um azedo, mas sabe que o outro poderá ser doce como o mel. O morango é lindo, gostoso, combina com tudo e é muito sensual. Nunca vi uma cena sensual num filme na qual os atores usam limão. Imagine a careta e o desestímulo dos atores se o usassem. Além disso, é preciso ter cuidado com a fruta. Ela é perigosa. Além de azeda, feia, pequena, ela machuca. Chega a queimar a pele, deixando manchas que duram meses, só para lembrar a vítima de que tudo é culpa do limão. Eu odeio limão, mas consigo superar! Porém, o limão tem marketing.
  • A pizza de muçarela ou mozarela, mas jamais “mussarela”, é uma fraude. Quem vai à pizzaria e percebe no cardápio dezenas de pizzas com ingredientes sensacionais e pede uma de muçarela só pode estar com sérios problemas. É preferível comer um misto quente ou pão com queijo a uma pizza de muçarela. Ela é inútil. Chega a judiar do gosto. Acho que os pizzaiolos devem rir com ironia a cada pedido de pizza de muçarela. Devem pensar: “temos bacon (a melhor invenção humana), palmito, tomate seco e o cara pede pizza com muçarela!”. E ri! A pizza de muçarela é uma fraude, mas tem um pouco de marketing.
  • O pato é um pobre coitado, não consegue fazer nada certo. Não voa bem, não nada bem, não canta, enfim, não faz absolutamente nada direito… por isso deveria ser deputado. O ovo da pata é muito mais forte do que o da galinha, mas não tem marketing. Ninguém vai ao supermercado comprar ovos de pata e dificilmente vai comer um pato assado no domingo. Nunca vi aquelas máquinas de assar carne assando um pato sequer. Pato não tem marketing. Nem no Natal! A gente come peru, frango gigante, leitoa, cabrito, carneiro, porco em forma de presunto, mas nunca um pato. O pato não tem nenhum marketing. Mais fácil comermos um coelho do que o pato.

Assim caminha a humanidade com suas esquisitices e gostos. Um dia eu vou superar o limão, a pizza de muçarela e o pato. Por enquanto, ninguém me convence de que todos eles são verdadeiras fraudes!