À minha família

20 maio

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A base familiar é responsável por dar suporte à formação do caráter e valorização de princípios éticos e morais. Sem ela, muitas vezes, a vida humana não tem sentido. Princípios que remetem à retidão são essenciais para que, de geração a geração, a sociedade seja cada vez mais honesta e digna. A instituição social “família” é uma das responsáveis pelos alicerces de um povo. Sem ela, dificilmente o indivíduo consegue se alinhar a tais princípios.

          Comumente, fazemos homenagens apenas aos que já partiram, mas, nesse texto, quero venerar aqueles que me deram suporte a ser quem sou hoje. Eis aqui meu reconhecimento por tudo o que fizeram e fazem por mim até hoje. Desde muito pequeno, a imagem que tenho dos meus pais e avós maternos está relacionada ao trabalho. Não me lembro de qualquer um deles ter se ausentado do emprego seja lá por qual motivo. Por muito tempo, meu pai saiu de madrugada, enquanto eu dormia, e chegava à noite, depois que eu já havia pegado no sono.

          Comerciante sem qualquer estudo, ele é um dos homens mais sábios que conheço. Conto nos dedos as pessoas sobre as quais ele teceu algum comentário negativo, e sempre com a razão, pois o tempo provou que ele estava certo. Homem batalhador, tem as mãos calejadas de tanto ofício pesado, no frio e no calor. Sempre disposto a levar o melhor aos filhos, não poupou esforços para que tudo desse certo nas nossas vidas; e ainda nos fazia sorrir.

          Minha mãe começou, ainda adolescente, como balconista de um dos primeiros pontos comerciais de Cruzeiro, a Mercearia Romanelli. “Eu fazia trabalho de homem. Descarregava caminhão e tudo mais”, sempre diz. Filha de uma dona e casa, que morreu seis dias antes de eu defender minha dissertação de Mestrado, e de um charreteiro, fez de tudo para concluir seus estudos, formando-se em História e Geografia pelas Faculdades Integradas de Cruzeiro. Assim, começou a lecionar e aposentou-se como professora da Rede Estadual de Ensino. Mesmo com dois empregos, ainda chegava em casa e “tomava” a lição de mim. Eu tinha a obrigação de saber o livro de cor e salteado. Lembro-me que, numa vez, ela, cansada, se esforçava para checar se eu havia estudado. Nisso eu brincava e ria. Ela pegou, ironicamente, o livro de Educação Moral e Cívica e me acertou três golpes. Aprendi na marra o que é moral a partir desse momento.

          Já errei muito na vida. Tomei muitas decisões erradas e agi por impulso. Como todo ser humano, paguei pelos meus equívocos e aprendi com eles. Porém, nunca fiz algo sem que pensasse nos meus pais, na minha avó, e no meu avô maternos. Este, pouco antes de morrer, pedia para minha mãe ir embora do hospital para cuidar de mim. Eu tinha apenas três anos e nem sabia que ele havia enfartado… nunca mais eu sentaria na charrete de novo.

          Hoje, com erros e acertos, carrego comigo duas frases: “Antes tentar e fracassar do que ficar sentado esperando a chuva cair” e “Junte-se aos bons e será como eles; junte-se aos maus e será pior do que eles”. Assim caminho, à sombra dos meus pais e avós maternos, que sempre foram meus alicerces e espelhos. Talvez jamais eu consiga alcançar a honradez e sucesso deles, mas uma coisa é certa: farei sempre que seus esforços tenham valido a pena. Minha vida tem que valer a pena. Por eles!

Uma resposta to “À minha família”

  1. Beatriz França maio 20, 2016 às 5:53 pm #

    Já está valendo!

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