Heróis e vilões

22 abr

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Sou um fanático por super-heróis. Tento analisá-los a partir da formação da essência humana. Desde crianças, crescemos com a visão maniqueísta da sociedade. O bem e o mal estão, a todo instante, presentes em nossas vidas. Nossos pais sempre nos amedrontaram com os ataques do bicho-papão, caso não seguíssemos à risca as regras domésticas e escolares. Qual criança nunca teve medo do monstro que morava embaixo da cama ou dentro do armário? Todas essas figuras representaram vilões na nossa vida, ou seja, o mal.

            Já nossos pais eram as referências do bem. Eles nos acolhiam, protegiam, amavam; eram nossos super-heróis. Pelo menos essa é a lei natural da vida, com exceção de alguns casos. Nossa história é uma narrativa linear, com heróis, mocinhos e vilões, presentes o tempo todo. Precisamos ser as melhores pessoas o tempo todo para completar os espaços no nosso trabalho, em casa… não podemos ser vilões, apesar de que, em alguns momentos, devemos ser, como ao chamar a atenção de um filho, de um aluno etc.

            Até nas telenovelas os enredos não mudam. Todas elas, por toda a história, sempre apresentaram os heróis(ínas), mocinhos(as) e vilões(ãs). As tramas são sempre as mesmas, desde que, no século XIX, os escritores procuraram escrever obras de teor mais fácil para a burguesia que havia alcançado o poder.

            A Bíblia, livro mais vendido no mundo, também, do começo ao fim, apresenta o bem e o mal interligados. Adão e Eva eram puros até que, irresistível e sedutoramente, ela caiu na tentação da maléfica serpente, que lhe deu o fruto proibido. A partir desse momento, apesar do Senhor tê-los alertado, a maldade surgiu na alma e, assim, fez parte da essência humana. O tempo foi passando e, vendo que a situação estava se tornando caótica, Deus pediu a Noé que construísse uma arca e salvasse um casal de cada ser vivo. O Senhor estava decepcionado com o teor da malignidade que os homens alcançaram e lavou a Terra com a enchente bíblica.

            Com o marketing e os estudos mercadológicos, surgiram os super-heróis e os vilões que temos visto nos filmes hoje. Antes apenas em histórias em quadrinhos, hoje alçaram voos bem maiores no quesito público/lucro. Os bonzinhos não existem sem os maldosos. Precisamos dos dois, pois eles representam a nossa essência. Num famoso diálogo entre Batman e o Coringa, na película Batman – Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, o herói pergunta: “Por que você quer me matar?”, e o palhaço responde: “Matar você? Eu não quero matar você. Nós precisamos um do outro”. Dessa forma, podemos entender claramente a relação maniqueísta: de que adianta o mal sem o bem e vice-versa?

            Portanto, engana-se quem pensa que os filmes de heróis que arrecadam bilhões no cinema sejam destinados apenas ao público infantil. Essas figuras representam, por que não dizer, filosoficamente, uma explicação para nossa formação humana. Heróis e vilões são a representatividade da nossa essência. Precisamos deles para distrair nossa mente e até nos vemos na pele de um deles. Faz bem para a alma e alivia as nossas dores; é sempre bom viajar nos caminhos lúdicos que a vida nos oferece.

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