O Começo do fim

7 ago

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Quem conhece um pouco a política sabe que o Brasil está longe de ser um exemplo a ser seguido no setor. Políticos mal preparados, dinheiro gasto aos horrores com obras que não farão a diferença para a população, o cancro da corrupção corroendo a esperança de se conhecer um país mais justo etc.

          Ouvimos muito os gestores públicos afirmarem que as verbas são restritas, que não há dinheiro para fazer tudo de que a população necessita, que o gestor anterior deixou a “casa” totalmente fora de ordem… não temos condições de ouvir mais isso. Não merecemos isso. Precisamos de soluções concretas.

          Cruzeiro é uma cidade maravilhosa, expoente de tranquilidade e condição de vida desejável. Porém, passamos por momentos políticos de turbulência. As incertezas em relação ao panorama político-administrativo da cidade causam consequências desastrosas a instituições que tendem apenas a fazer o bem e a prestar auxílio à população mais carente.

          A Santa Casa de Misericórdia é um exemplo de descaso por parte do Poder Público e por falta de uma gerência eficiente. Veículos de comunicação divulgaram que o importante centro de atendimento médico-hospitalar pode fechar as portas. Em virtude de uma dívida de R$ 10 milhões, e o fim do repasse oferecido pela Prefeitura, acusa-se até mesmo a falta de medicamentos. A Santa Casa não atende apenas Cruzeiro, mas outras cidades como as do Vale Histórico.

          A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais, que há muito tempo presta serviços incontestáveis ao município, também cogita fechar as portas. Em carta, a diretora técnica Ângela Elisei clama por ajuda da população e que, segundo ela, “os governantes querem que o trabalho das APAEs acabe”. As Apaes são de grande valia aos municípios, pois prestam serviços maravilhosos que visam ao bem-estar social. Integrar na sociedade pessoas com deficiência é um verdadeiro ato de cidadania. Quem vira as costas para uma associação desse tipo merece ser defenestrado da política; além do fato de não ter qualquer dose de humanidade.

          Não consigo entender essa falta de vontade, ou até mesmo de capacitação, de pessoas que gerenciam nosso sistema público. É inadmissível que o Brasil sempre precise das mesmas coisas. Nunca tivemos educação, saúde, moradia etc. Nunca. Não é a crise x ou a y. Nós nunca fomos respeitados enquanto cidadãos. Somos considerados veículos de manobras. Políticos sempre lutam por nosso voto, mas não recebemos em troca, sequer, as condições mínimas para vivermos com dignidade.

          Nossas casas são cercadas por grades, nossos carros têm seguros caros, tememos pelos familiares, as escolas públicas estão em petição de miséria (bom fora bela viola, por dentro pão bolorento), os hospitais estão às mínguas, carga tributária de sugar o sangue do contribuinte… não consigo enumerar tudo aqui.

          Dessa forma, dizer que devemos protestar nas urnas é um dos maiores clichês. De fato, não sei o que acontece com os brasileiros.  A meu ver, se parecem com hienas: comem carniça e saem dando risada.

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