Os estacionamentos rotativos são uma zona

6 jun

Zona azul

A grande maioria das cidades brasileiras não é planejada. O crescimento desordenado ocasiona uma série de problemas no futuro, como a falta de mobilidade adequada, supervalorização dos imóveis, racionamento de água e energia elétrica etc. As regiões centrais sofrem com o excesso de veículos e de pessoas, limitando a mobilidade urbana. É como se fosse um ciclo vicioso: um mal puxa o outro.

            Para conter o excesso de carros nos centros urbanos, as prefeituras criam projetos dos polêmicos estacionamentos rotativos, também chamados de Zona Azul em algumas cidades. Quem conhece a infraestrutura de outros países vê esses pontos de parada como o que há de mais ridículo no que tange ao referido controle. Nos Estados Unidos, por exemplo, todas as lojas oferecem vagas aos seus clientes. Dificilmente vê-se um carro parado nas ruas. Nos grandes centros urbanos, há estacionamentos espalhados por todos os lugares. Em Buenos Aires, o estacionamento central foi construído sob a cidade. Não há briga e perda de tempo para encontrar uma vaguinha.

            Não há uma linearidade consciente entre os Poderes Públicos Municipal, Estadual e Federal. Um reduz os impostos para a aquisição de veículos e, aproveitando a oportunidade, as concessionárias oferecem parcelamentos a perder de vista. A frota cresce e não há lugares suficientes para estacioná-la. Dessa forma, as cidades passam a limitar o direito constitucional de ir e vir do cidadão/motorista, que também paga o Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) para trafegar, cobrando a taxa do estacionamento rotativo.

            Na nossa região, Cruzeiro oferece a tal Zona Azul de forma totalmente desordenada; uma verdadeira zona. Para estacionar o carro na área central, os motoristas devem pagar R$ 1,50 por hora para usufruir do comércio local. Nada mais incoerente. Paga-se para gastar. O dinheiro arrecadado deveria ser automaticamente destinado à criação de estacionamentos, manutenção das vias ou mesmo aumentar a segurança local, impedindo a atuação, também, das pragas chamadas eufemisticamente de flanelinhas. Pagar estacionamento rotativo e flanelinhas é o fim da picada.

            Em Guaratinguetá, ao que consta, existe um projeto para a criação do tal estacionamento rotativo. Mais uma vez, por erro de planejamento urbano anterior, hoje a gestão possivelmente se renderá a mais um ônus ao contribuinte: o pagamento da taxinha para deixar o carro parado na rua.

            Na realidade, os estacionamentos rotativos são flanelinhas institucionalizados, regrados por lei e com preço fixo. As Prefeituras agem como flanelinhas, sempre amparadas pela lei. Ao lançarem os projetos, os gestores usam o mesmo discurso: “o estacionamento rotativo é uma forma segura e eficaz para controlar o excesso de veículos nos centros urbanos”.

            Algo inaceitável, também, é a cobrança ilógica de estacionamentos nos shoppings. Deveria ser cobrado apenas de quem não consumir nos mesmos. A apresentação de notas fiscais deveria abonar o pagamento.

            Nossa cultura é a de onerar o contribuinte; sugar seu sangue até o último suspiro. Pagar, pagar e pagar. Vamos trocar nosso suor por discursos repetitivos e cheios de mentiras. Aceitamos tudo passivamente e ainda separamos as moedinhas para facilitar o troco. É uma zona!

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