Drogas e o mundo ilusório

21 jan

drogas

Sou um entusiasta da educação. Eu vivo, luto e torço por ela. E vejo que o processo de ensinar não cabe apenas às quatro paredes que demarcam as salas de aula. Importa-me mesmo é como meus alunos vão se comportar fora delas. Evidentemente, almejo que todos conquistem seus objetivos com muito esforço, que sejam aprovados em grandes universidades, que tenham o emprego dos sonhos, que viajem o mundo… mas salutar mesmo é que eles sejam seres humanos de coração bom, fortes para encarar qualquer obstáculo que a vida oferece.

            Completo, neste ano, 12 anos de carreira como professor, sem contar o período que fui voluntário em aulas de reforço, em Bauru, para crianças carentes, momento que aprendi muito. Nesse tempo, vi muitas coisas: gravidezes indesejadas e precoces, adolescentes rebeldes que fugiram de casa, mas o pior de tudo é perder um aluno para as drogas. Não sei quantos já perdi para o álcool em acidentes de trânsito e as incontáveis vezes que os ouvi comentando sobre o uso de drogas.

            As drogas são inimigas silenciosas, presentes em festinhas de aniversário e, principalmente nas tão faladas baladas de finais de semana. Evidentemente não quero generalizar, mas me preocupo muito com a situação dos nossos deles. Do portão de casa para fora, existem muitas armadilhas terríveis.

            Os adolescentes, com a explosão de hormônios natural da idade, têm os amigos como ídolos absolutos e a possível ausência dos pais – seja lá por trabalharem muito ou por não darem a importância que deveriam à família – buscam nas drogas o que falta para completar a vida: satisfação plena.

            Percebi que não há classe social específica para se começar a consumi-las. Basta a fraqueza de espírito e uma forcinha dos amigos. A falta de controle das famílias mais abastadas, que não se recusam a patrocinar as festas dos filhos, também pode acarretar em sofrimento a partir do vício deles. A isso damos o nome de codependência.

            Orientei um importante trabalho acadêmico ano passado que versava sobre esse tema. Os familiares que buscam, incansavelmente, a “cura” de seus filhos e parentes são codependentes também. Sofrem, deprimem-se, lutam contra as drogas e nem sempre os viciados querem abandoná-las.

            Aos jovens, deixo a mensagem de que a droga é uma fuga passageira da realidade, o que não resolverá nenhum dos problemas, pelo contrário, acarretará inúmeros outros. A felicidade plena mesmo só acontecerá quando cada um se autocompreender e entender que a vida é antitética, ou seja, por ser muito simples é difícil de ser percebida. Aos pais, deixo a mensagem de que o diálogo é o melhor remédio para entender os filhos. A aproximação é essencial para conhecê-los de verdade.

            Não vamos perder nossos jovens para o que a vida pode proporcionar de ruim. Vamos ascendê-los ao patamar de protagonistas de um futuro melhor.

2 Respostas to “Drogas e o mundo ilusório”

  1. Silvia Maria de Carvalho Farias janeiro 21, 2014 às 4:24 pm #

    Profº Miguel Júnior, “Aos pais, deixo a mensagem de que o diálogo é o melhor remédio para entender os filhos. A aproximação é essencial para conhecê-los de verdade”. O Diálogo é essencial, concordo plenamente com você. Não vamos perder nossos jovens, afinal o futuro está logo ali….. Profº um educador ímpar, dedicado em tudo o que faz. Abraços fraternos.

  2. Mara Regina Martins janeiro 23, 2014 às 8:45 pm #

    Prof. Miguel, essa busca incessante pelo bem querer dos alunos só o torna nobre.

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