ENEM 2013: um ponto de vista

30 out

 

ENEM-2012O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) está parecendo uma mulher grávida. Não dá para imaginar qual o próximo desejo dela. Criado, em 1998, pelo então ministro da Educação Paulo Renato, tinha como objetivo geral avaliar o processo de aprendizagem dos alunos do Ensino Médio a fim de que fossem criadas novas políticas aplicáveis nas escolas.

            As primeiras provas apresentavam 63 questões e eram realizadas em um único dia. O exame não garantia a aprovação em faculdades públicas, mas apenas em algumas instituições particulares. Em 2009 o formato mudou. Os candidatos já seriam convocados para dois dias de provas com 180 questões mais a redação. As instituições públicas já poderiam aceitar os candidatos com as melhores notas em seus cursos. Dessa forma, o ENEM foi ganhando a visibilidade e importância que tem hoje.

            A expectativa maior de professores e alunos é o tema da redação; e está muito complicado imaginar qual o tema que o examinador vai lançar. Em 2012, foi “O movimento imigratório para o Brasil no século XXI”. Não foi difícil, mas pegou os alunos de surpresa pela dificuldade em se refletir sobre. Deveriam ter conhecimentos geográficos e históricos, além da percepção para relacionar tudo isso com o desenvolvimento do país.

            Neste ano, a proposta lançada foi “Efeitos da implantação da Lei Seca”. Contrariando a implícita intenção de “dificultar as coisas”, o examinador aplicou um tema relativamente fácil, porém dificultoso quando se trata de proposta de intervenção. Destacar uma solução para uma lei que, pelo seu conteúdo, já se posta como uma solução é complicado. Pelo que percebi, a maioria dos candidatos com quem conversei expôs que “fiscalizações são necessárias”. Agora, basta saber o que o corretor vai achar disso.

            Pode-se afirmar, hoje, que o ENEM já está se equiparando a grandes vestibulares. As provas estão cada vez melhor elaboradas e espera-se que todas as Instituições de Ensino Superior do país, como tempo, o aceitem como prova única – o que seria uma maravilha, pois os alunos não gastariam muito dinheiro e tampouco viajariam para vários lugares a fim de participar dos concursos.

            Possivelmente, o ENEM seja o maior concurso realizado no mundo. Com mais de 7 milhões de inscritos, moveu milhões de Reais para a sua produção e aplicação. Serve como prova padrão às escolas para que avaliem seus alunos e, também, usem os resultados positivos para o marketing próprio.

            Muita coisa gira na cabeça de quem o produz. A meu ver, a primeira delas são os fins políticos, já que a educação pública pouco mudou no período no qual foi aplicado. Da mesma forma, faltam professores, o ensino é ruim, o conteúdo aplicado (quando aplicado) é pior, dificilmente são encontrados gestores especializados em educação, os Parâmetros Curriculares Nacionais não são interpretados como deveria etc.

            O ENEM é um importante instrumento de avaliação, porém aos maiorais do poder que o controlam deveria caber a sapiência de se discutir os resultados. Exemplo disso seria colocar na parede os diretores das piores escolas públicas. Da mesma forma, os das que não apresentam evolução. Os profissionais que conseguissem alçar uma instituição de ensino receberiam bônus por bom trabalho prestado. Só a nota não vai mudar nada. No Brasil, é costume dar nota para tudo, mas a discussão dos resultados é que deixa a desejar.

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