Preconceito velado

5 out

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Os negros foram aviltados desde o momento em que puseram os pés nos navios que os trouxeram para o Brasil. Quando não morriam no decorrer da viagem, trabalhavam feito animais para dar o sustento ao seu senhor. Eram mercadorias. Peças de negociação e negro bom não poderia ter rachaduras nos pés e a dentição deveria estar em perfeito estado. Tal como se vê nos cavalos para a compra e venda. Os pés rachados doíam e atrapalhavam o trabalho. Já os dentes estavam relacionados à idade.

            O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, o que é uma vergonha mundial. A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888, colocou fim a essa atrocidade enraizada na sociedade brasileira. Há pouco mais de cem anos, decidimos que escravidão era algo errado, que feria os princípios da humanidade.

            Mesmo com o fim dela, os negros não conseguiram se inserir na sociedade e viviam marginalizados. Não tinham autorização para frequentar os mesmos lugares que os brancos e, além do mais, não tinham condições financeira e intelectual para tanto. Viviam na pobreza. Dificilmente algum conseguia alcançar um lugar mais alto na sociedade puramente pelo preconceito e, claro, pela insistência dos brancos em não ajudá-los em absolutamente nada. Ainda por um tempo, sujeitaram-se a trabalhar a troco de comida.

            Para tentar lançar um pedido de desculpas aos negros, na década de 60, os Estados Unidos lançaram as cotas raciais, medida afirmativa cujo objetivo era o de diminuir a desigualdade socioeconômica entre as etnias. Quarenta anos depois, o Brasil entrou na onda e as cotas foram lançadas. A Universidade de Brasília, em 2004, foi a primeira a aceitar tal condição. Hoje, a maioria das universidades públicas oferece uma determinada quantidade de vagas aos negros.

            Quase todas as sociedades defendem a igualdade entre seus cidadãos. Porém, quando se salienta que os negros são incapazes de enfrentar intelectualmente os brancos de igual para igual nota-se aí uma forma, a meu ver, implícita de preconceito. Mesmo que os negros tenham sido humilhados e usados nos tempos passados, o mais relevante a ser feito seria dar condições para que todos eles frequentassem escolas públicas de qualidade e, por conseguinte, alcançassem o sucesso concorrendo com os brancos no mesmo concurso, no caso, em igualdade.

            Rotular o negro como incompetente por meio dessas cotas é carimbar o atestado de que eles não conseguem ou não conseguirão nunca chegar ao patamar que os brancos chegaram.

            Não se deve separar classe sociais por cor. A obrigação de todo governo é oferecer para todos, sem distinção, benefícios essenciais e obrigatórios como educação, saúde, moradia, trabalho… ou seja, condições de vida dignas, independente da cor da pele. A cor nunca poderá ser algo primário na formação de conceitos; o caráter sim.

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