Custo Brasil

17 ago

moeda-mordida

O Brasil não tem jeito mesmo. A falta de gestores competentes atravanca a nação de tal forma que, mesmo sendo a sétima potência do mundo, não consegue elevar-se ao padrão de excelência na prestação de serviços básicos como educação e saúde.

            Aqui, arrecada-se demais. É muito dinheiro que se esvai pelos ralos e que cai nas mãos dos ratos, eleitos por nós mesmos, eleitores sem qualquer escrúpulo na hora de escolher o futuro.

            Talvez não haja no mundo país que obrigue os cidadãos a pagar tamanha carga tributária. Muito imposto em troca de quase nada. A educação é péssima e a saúde, pior. Mas a gente paga caro por isso. Para maior indignação, agora as notas fiscais devem apresentar a porcentagem de imposto pago em cada compra. Por exemplo, para cada R$ 100,00 de gasolina, aproximadamente R$ 48,00 são impostos, ou seja, quase metade. Porém, o retorno desse dinheiro usurpado dos nossos bolsos é ínfimo. É triste ver nosso suor depositado na corrupção. Um carro, por exemplo, cujo valor aproximado seja de R% 60 mil, a carga tributária ultrapassa os R$ 25 mil.

            Aqui existe o tal “Custo Brasil”, que atrapalha, e muito, o desenvolvimento social. Alguns exemplos são: corrupção, burocracia, déficit público, principalmente com servidores, juros elevados, altíssima carga tributária, custos trabalhistas, sistema previdenciário ineficiente, bem como o jurídico, péssimas infraestrutura, educação e saúde.

            O Senado, no começo deste ano, tentou, por meio de projeto de lei, reduzir os tributos em alguns setores, como engenharia e transportes. Todavia, o feito apenas conseguiu um decréscimo de 0,5%, considerado irrisório.

            Ao que tudo indica, a indústria da corrupção é a única que atua a todo vapor e sem maiores problemas. Vemos uma condenação ou outra, mas dificilmente os valores desviados voltam para o caixa. Segundo a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), a corrupção consegue tomar do povo cerca de R$ 69 bilhões por ano, ou seja, de 1,38% a 2,3% de todo o Produto Interno Bruto.

            Para ilustrar, cito aqui o que conseguiríamos realizar caso esse câncer fosse extirpado do Brasil (segundo a matéria ‘O Preço da corrupção no Brasil, de Marianna Camargo – Revista Ideias):

            Educação – O número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. Saúde – Nos hospitais públicos do SUS, a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%.Habitação – O número de moradias populares cresceria consideravelmente. A perspectiva do PAC é atender 3.960.000 de famílias; sem a corrupção, outras 2.940.371 poderiam entrar nessa meta, ou seja, aumentaria 74,3%. Saneamento – A quantidade de domicílios atendidos, segundo a estimativa atual do PAC, é de 22.500.00. O serviço poderia crescer em 103,8%, somando mais 23.347.547 casas com esgotos. Infraestrutura – Os 2.518 km de ferrovias, conforme as metas do PAC, seriam acrescidos de 13.230 km, aumento de 525% para escoamento de produção. Os portos também sentiriam a diferença, os 12 que o País possui poderiam saltar para 184, um incremento de 1537%. Além disso, o montante absorvido pela corrupção poderia ser utilizado para a construção de 277 novos aeroportos, um crescimento de 1383%.

            Dinheiro o Brasil tem. O grande problema é que a falta de gestão e, claro, a corrupção, destroem a nossa capacidade de crescer. E não há previsão disso acabar.

Uma resposta to “Custo Brasil”

  1. rodrigo agosto 17, 2013 às 12:43 pm #

    Excelente matéria.
    Confesso que achei pouco a participaçao da corrupçao no PIB, mas se considerarmos esses 2% apenas a corrupçao oficial, aquilo que é julgado, talvez faça mais sentido.

    Prefiro acreditar que a realidade brasileira se deve a imaturidade política, de um país que em poucas décadas saiu de uma ditadura, onde a massa está acostumada com a submissão, medo e comodismo. O fato da democracia ainda ser novidade, é a melhor explicaçao que me apresentaram diante desse quadro de tamanha alienação política que vivemos.
    Sinceramente acho que não tem cura, o verdadeiro responsável por essa realidade, é a tal esperteza, o jeitinho brasileiro, que vai desde o espertinho escondendo uma carta em um simples jogo de truco, o que fura fila de banco, o que faz conchavos políticos ou até mesmo aquele que cansou do Brasil e vai buscar melhor qualidade de vida na Noruega ( onde o metade do salário fica com governo, que retribui com excelente educaçao, saúde, entre outros benefícios), mas o brasileiro é tão esperto que consegue usufruir os benefícios noruegues e receber salário na conta de um país vizinho.

    Então derrubamos qualquer teoria, tá na classe baixa, média, alta. Tá no advogado, engenheiro, médico, lixeiro. Tá no caseiro, sindico, politico. Tá em todo lugar..

    Não tem jeito, tá no DNA, tá no sangue! Para não jogar a toalha e desistir, vou acreditar nessa teoria do meu pai, que o país é novo, que a democracia é recente e meus filhos ou netos vão ver uma Brasil diferente, que ainda estamos engatinhado.

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