Pelo mundo afora

12 jul

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Existem diferenças gritantes entre o Brasil e os países desenvolvidos. Esse antagonismo não existe apenas num âmbito, mas em quase todos os setores sociais. Recentemente, estive nos Estados Unidos para uma visita cultural. Fui aos principais museus, pontos turísticos e estabelecimentos comerciais, como restaurantes, supermercados e farmácias de algumas cidades, mas principalmente em Nova Iorque.

            Conheço muito bem a cidade de São Paulo, já visitei o Rio de Janeiro e outras capitais, como Maceió, Fortaleza entre outras cidades importantes do país.

            Em São Paulo, há o medo constante de ser assaltado, de ser assassinado por um marginal num semáforo qualquer (minha irmã já teve o carro roubado, mediante agressão, por duas vezes e minha mulher sofreu um assalto num semáforo de uma avenida movimentada). A cidade é muito suja, cheia de pichações, buracos, o transporte público (com exceção do metrô, que é muito mais limpo do que o de Nova Iorque), ruas esburacadas, não houve planejamento para o crescimento urbano e a favelização é uma constante.

            No Rio de Janeiro, as favelas são pontos turísticos importantes, os índices de criminalidade são altíssimos, o trânsito é extremamente desorganizado, e a recepção aos turistas é uma piada; nesta cidade, o famoso “jeitinho brasileiro” impera.

            Em Fortaleza, as empresas de turismo nos escondem a extrema pobreza. Ficamos apenas nos lugares mais visitados. Absurdamente, tenta-se impor um padrão de vida que não é condizente aos moradores de lá. Tudo parece um cenário de novela, mas os bastidores refletem a desigualdade e pobreza.

            Maceió é a capital mais atrasada que visitei. Turistas são tratados da pior forma. Não há como esconder a pobreza e a alienação política. Nomes importantes da política são estampados em ambulâncias e outdoores, o que configura crime eleitoral. Ao passar pela emissora afiliada à Rede Globo de lá, o guia turístico nos disse: “Aqui é a Globo do nosso presidente Collor. Quando ele era presidente, a televisão cresceu bastante, mas depois que o tiraram do poder parou de crescer. Agora que ele é senador, está crescendo de novo”. Alienação total.

            Pequenas choupanas são construídas, sem qualquer fiscalização, nas rodovias que ligam Maceió a outras pequenas cidades. Muitas pessoas jogam o próprio lixo nos fundos de suas casas e não há política social de sanitarismo. Faixa de pedestre é só para os olhos de quem vê. Só se pode atravessar as avenidas e ruas se os carros estiverem comprovadamente parados; ainda assim há o risco de eles acelerarem.

            Em Buenos Aires, o clima europeu impera. Percebi que os hermanos acreditam que são italianos, com modos ingleses, mas que não passam apenas de argentinos. De fato, muitos deles não vão muito com a cara dos brasileiros. Ao tentar comprar um vinho, fui seguido por um segurança até o caixa. Tudo bem que eu estava com a camisa do Corinthians, mas não era para tanto. No aeroporto, quase que o atendente da imigração nos escorraçou. Mas tudo bem. Era apenas um argentino.

            As cidades dos Estados Unidos que visitei recentemente, Nova Iorque, Pittsburg e outras no estado de Ohio, são como os braços da mãe: nos acolhem muito bem. Até visitar os EUA, eu era antiamericano. Não acreditava que tal país pudesse oferecer algo para nós a não ser o capitalismo selvagem. Mas não foi bem assim. Recebe os estrangeiros da melhor forma. Em Ohio, por exemplo, muitas pessoas vinham perguntar como era o Brasil de fato. Sabiam que aqui era muito bonito e tinham vontade de conhecer. O mais surpreendente foi ouvir um questionamento de um cunhado meu que acabara de conhecer. Como lá a compra de armas é liberada, ele não acreditou quando eu disse que no Brasil é proibido tê-las. Os olhos arregalados dele foram a melhor parte da conversa. Até ele entender as armas são de uso restrito foi um sacrifício. Eu não ter uma arma em casa foi motivo de chacota.

            Nova Iorque é o paraíso cultural. Museus maravilhosos que parecem palacetes. São tão majestosos e grandes que é impossível visitá-los em poucos dias. O Museu de História Natural – sim, o mesmo do filme “Uma Noite no Museu” – é lindíssimo. Também ficar a poucos centímetros de obras-primas como quadros de Picasso, Van Gogh, Monet, Andy Warhol é para poucos, como aconteceu na minha visita ao Museu de Arte Moderna.

            O objetivo deste texto não é menosprezar o Brasil, mas expor a real vontade de que este país cresça de verdade, que o povo seja tratado de forma igualitária. Todo mundo deveria ter acesso à educação de qualidade para exigir seus direitos. Não é que em outros países não exista a corrupção, mas aqui é demais. Muito dinheiro se perde pelos ralos do poder e ficamos a ver navios. Temos potencial para crescer e não é só na economia. Devemos crescer na alma. Não precisamos de bolsas família, escola, gás, cultura etc. Precisamos de dignidade.

3 Respostas to “Pelo mundo afora”

  1. Marta julho 12, 2013 às 3:50 pm #

    ” O objetivo deste texto não é menosprezar o Brasil ” foi qual então? pois a única coisa que li foram criticas destrutivas, nada contra, porque nosso país não é lá dos melhores mesmo, e você tbm não mentiu, mas poderia ter ressaltado alguns pontos positivos do país em que você mora, pois nível cultural não é feito só de museus, restaurantes..etc..o Brasil é mais rico que isso…e Pior que um ” hermano acreditando ser italiano, com modos ingleses ” do que um Brasileiro que se acha Americano com olhar europeu, mas que não passa de um turista que não conhece o próprio páis. Ah e quanto ao assunto sobre armas. Dar armas para a população é um desastre, uma vez que nossos cidadãos de bem são amadores no manuseio das armas e os bandidos são profissionais. Logo, o Estado deve proteger o cidadão de sua própria imprundência. Ter uma arma em casa aumenta o risco de acidentes fatais. No Brasil, duas crianças são feridas todos os dias graças ao acesso às armas dos pais. Fora que muitas crianças acabam trazendo a arma do pai para a escola.Neste caso vc deveria trocar o título do seu texto pq o mundo não se resume em 3 países o mundo é muito mais do que isso.

    • Coringa julho 24, 2013 às 8:16 pm #

      Olá, Marta. Obrigado pelo comentário. Precisamos de leitores críticos como você. Parabéns!

  2. Ingridy de Almeida Nascimento julho 13, 2013 às 9:39 pm #

    Olá professor Miguel!

    Realmente há necessidade de haver mudanças na organização e investimento para a melhoria dos brasileiros.
    Gostei de saber que esteve a poucos centímetros das obras-primas de artistas renomados.

    Abraços!

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