Educação na contramão

30 jan

lápices de colores

                O papel do professor torna-se cada vez mais difícil. Muita burocracia, reuniões que não levam a lugar algum, falta a consciência de que a educação é um planejamento para o futuro, os professores mais graduados e com melhores resultados são tratados da mesma maneira que os outros que não produzem o suficiente… e, nos últimos tempos, a tecnologia mal usada ainda atrapalha todo o processo escolar de ensino/aprendizagem.

            No Brasil, por mais que o Poder Público afirme que a educação está melhorando, ainda assim há uma defasagem muito grande em relação aos países sérios. A extensão territorial brasileira não permite que se faça um trabalho bem feito, até porque a capacidade dos gestores é discutível. Como melhorar a educação se muitos prefeitos, governadores, vereadores, sequer concluíram o Ensino Médio?

            Algumas faculdades particulares estão demitindo professores doutores para não ter que pagar mais pelas aulas deles. Assim, muitos especialistas tomam lugar dos que mais estudaram para ensinar. Isso é andar na contramão..

            Outro fator importante que destrói a educação são os pais. Evidentemente nem todos se encaixam aqui, mas uma maioria que deseduca seus filhos ao não impor limites e ao encarar a escola como inimiga das crianças.

            Muitos “responsáveis” só procuram a escola quando tomam conhecimento de que o filho será reprovado ou que está indo muito mal. Assim, ao invés de repreender o jovem sobre seu comportamento inadequado, ainda entra com recurso contra a escola para que o filho seja aprovado. A criança na maioria das vezes é aprovada sem saber o básico, já que o Estado protege os ignorantes, e ainda cresce tendo papai e mamãe valorizando os seus atos falhos.

            Além disso, como um professor pode competir com um celular com internet e mensagens ilimitadas? Qualquer adolescente com um aparelho mágico desses não gostaria de prestar atenção nas falas dos professores. Aliás, nem sei a razão de um adolescente ter um celular dentro de uma escola. Caso precise conversar com os pais, há telefones na instituição.

Os (ir)responsáveis são um dos problemas mais graves da educação brasileira. A falta de capacitação dos professores também deve ser salientada. A carreira do magistério é interessantíssima, mas fatídica. Professor quase nunca para de trabalhar. Até os finais de semana são comprometidos com a ineficaz burocracia exigida pelas escolas. Atuar no ramo é uma tarefa para quem ama de verdade o que faz. A profissão é uma das mais sérias, pois participará ativamente da formação de pessoas. Dessa forma, não há tempo para testar ou errar. Ou o professor sabe ou ele não sabe.

A educação no Brasil corre na contramão dos países que a têm como exemplo (Coréia do Sul, Finlândia, China, Japão). Enquanto lá o professor sabe, o aluno quer aprender e os pais são uma conexão importante com as escolas, aqui as verbas são mal aplicadas (e desviadas), as faculdades não formam professores competentes, os profissionais bons não são valorizados como deveriam, o material didático é, muitas vezes, ruim e tendencioso, as instalações das escolas, em especial as públicas, por vezes são precárias.

Não há perspectiva de melhora quando não existe um pensamento progressista. Há a necessidade de gente capaz, que entenda dos problemas e esteja disposta a solucioná-los. O Brasil não pode ser um recanto de medíocres incapazes até de escolherem seus governantes, ou alheios às transformações sociais. O Brasil não pode ser um país no qual muitos não conseguem se adaptar às tecnologias mais corriqueiras, como usar um caixa automático num banco; ou mesmo não saber interpretar um texto de um contrato. Meus avós, há muito tempo, já diziam que aqui seria o “País do futuro”. O tempo passa e esse futuro simbólico continua utópico. E, pelo jeito, continuará assim.

2 Respostas to “Educação na contramão”

  1. andre whately janeiro 30, 2013 às 9:53 pm #

    Prof. Miguel,
    Seu texto é o puro reflexo de como a educação escolar no país vem sendo tratada, tanto por pessoas da área profissional vinculados a metas e lucros assim como responsáveis que desejam o imediatismo de nota e pontos para “ultrapassar seu rebento de ano”. É só perguntar aos mais velhos, quem estiver com seus 70, 80 anos…o que foi feito da escola pública??? E pensar que nesta imensidão de país, logo aqui mesmo no Rio de Janeiro no próprio município, muitos milhares de cidadãos, crianças, jovens…tem na escola pública sua única alternativa de possibilidade de um crescimento educacional de aprendizagem e a escola com seu ambiente de sala de aula, de pátio, de quadra e etc…torna-se também a referencia da comunidade nos seus encontros sociais, de diversão e entretenimento. Só esse pequeno exemplo de uma capital do sudeste remonta e exige toda uma nova expectativa, principalmente do ensino público, onde um Joaquim Barbosa, nosso mártir, deixará de ser um exemplo isolado. Seu texto vai muito além e apesar da sua pouca idade, está inserido no hall dos grandes mestres que entendem sua verdadeira missão de ensinar; a formar o cidadão para a vida!

  2. Erick Babboni 8º ano INSA fevereiro 4, 2013 às 6:23 pm #

    ótimo texto miguel representa o estado da educação brasileira

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