O dia em que Lula caiu do cavalo

19 set

Nunca votei, nem sequer gostei do Lula. Não admito que uma pessoa, para a qual a escola sempre foi uma inimiga, e os livros, objetos desconhecidos, pudesse me representar para alguma coisa. Aquela carinha demagoga nunca me enganou. E por mais que tentem me convencer de que ele foi o melhor presidente que o Brasil já teve, eu digo que foi sorte ele ter pego uma maré de desenvolvimento. Nunca foi capacitado para ensinar o país a alçar voos bem maiores. Para mim, ele é um desses políticos carismáticos moldados à luz do marketing pesado, cujos amigos, desde a época do sindicalismo pesado, ajudaram a criar o mito.

            Tudo parecia perfeito na terra brasilis até que, por ironia do destino, um dos ladrões de Ali Babá, resolveu denunciar um esquema criminoso de corrupção: o fatídico “mensalão”. Mas, até então, nada de mais grave aconteceria com os corruptos, muitos do alto escalão de partidos políticos, como Partido dos Trabalhadores (PT) e o finado Partido Liberal (PL), de Valdemar Costa Neto, bem conhecido nessas bandas de cá. Não seria agora que a Justiça puniria gente-grande.

            Noutro de seus atos populistas, Lula nomeou o negro, Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal. Seria assim, o primeiro negro a sentar no mais alto escalão da Justiça Brasileira, segundo Lula – o que é uma inverdade, pois já tivemos, outrora, dois outros ministros de cor escura.

            Quando Barbosa foi escolhido relator do processo do mensalão, ares de glória pairaram sobre os criminosos. É o cara do Lula. Assim, nada poderia acontecer aos bandidos. Político no Brasil tem as costas largas. Lembro-me que o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, ao ser questionado sobre o processo, respondeu que tinha mais o que fazer.

            Pois bem, Barbosa, o escolhido, fez um belíssimo trabalho. O relatório lido nas sessões do STF é um primor. Quase todo mundo condenado. Absolvidos apenas os que deveriam ser mesmo. O ministro fez um trabalho exemplar. Trabalhou muito e seu relatório é o ponto-chave para a condenação dos políticos, banqueiros, marketeiros e outros envolvidos nesse ávido esquema de corrupção.

            Lula caiu do cavalo ao acreditar que o negro escolhido não pisaria na bola ao tomar as rédeas do processo do mensalão. Nem todo mundo é desonesto, picareta e malandro.

            Joaquim Barbosa é um Homem – com H maiúsculo mesmo -, que merece ser colocado nos anais da história deste país. É um exemplo a ser seguido. Ele deu caras novas à Justiça Brasileira. Talvez, agora, alguns outros políticos pensem melhor antes de nos furtarem. Barbosa merece nossa reverência.

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