Horda de fanfarrões – Texto publicado no Jornal Classe Líder de Cruzeiro três dias antes das últimas eleições, mas continua atual.

25 jan

Redijo esse texto três dias antes das eleições. Obviamente, ainda não sei o resultado, porém o que nos foi apresentado foi tão sofrível e lamentável que tenho medo de sentir saudade dos membros do Congresso atual. Não é possível que um país em pleno desenvolvimento aceite de braços abertos tanta gente incapacitada se candidatando a cargos tão importantes. E não me venha com essa de que país democrático tem que dar o direito a todos de, ao menos, concorrer a cargos eletivos.

O significado de “democracia” é “poder que emana do povo” e parece-me que o povo brasileiro não está preparado para alçar ao poder seus representantes. Não é à toa que o Brasil está sempre entre os primeiros nos rankings de corrupção.

É inadmissível que um país sério aceite calhordas de terno e gravata esbanjando soberba e babando a gordura sugada do trabalho do povo, que paga impostos a todo instante sem ao menos questionar para onde vai o dinheiro. Não é possível que um bando de canalhas receba milhões para não fazer nada além de surrupiar mais dinheiro.

É evidente que existem políticos sérios, mas a impressão que nosso histórico político me causa é de que uma horda de fanfarrões, incentivados pelos próprios partidos políticos, assuma o poder para angariar fundos para falcatruas.

São investimentos exorbitantes em campanhas de candidatos que nada farão para o povo nestes próximos quatro anos. Tiririca, por exemplo, recebeu R$ 3,5 milhões para fazer campanha, sendo que, se somados todos os meses de salário que ele receberá nos quatro anos de mandato, esse valor nunca será alcançado (pelo menos aos olhos de quem vê). O eleitor será que entende isso?

Por isso afirmo nesses anos todos em que tento conscientizar por meio deste humilde espaço, que a educação é a solução para todos os problemas. Quem é bem informado, sabedor de seus direitos e deveres, um cidadão completo, sabe refletir e, assim, escolhe bem seus representantes.

Se houvesse uma mudança profunda no modo do brasileiro enxergar as eleições, tenho certeza que os próprios partidos políticos seriam mais criteriosos na escolha dos seus candidatos.

Todavia, na atual conjuntura, meu desejo é uma utopia. Como levar a refletir pessoas que saem da escola sem saber interpretar textos? Como analfabetos funcionais conhecerão seus direitos e deveres? Como um povo alienado vai votar direito? Como um povo desprezado pelos representantes que elegeu, pacífico em sua natureza, vai exigir mudança? Mudar é ascender analfatetos/incompetentes ao poder? Voto de protesto?

Enquanto essas perguntas não são respondidas, ou não podem ser, eles estão aí, à solta, deixando de revirar lixo para usufruir do caviar, que nós mesmos não comemos, mas que oferecemos a eles com o suor de nosso trabalho; tudo acompanhado com champanhe servido em bandejas de prata. Que venham mais mensaleiros, corruptos, larápios. Que venha a nova horda de fanfarrões.

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