Campeão em dedicação

7 dez

 

            O Brasil é um país desigual. Tal afirmação é indiscutível. Apesar de inúmeros programas sociais, que de fato amenizaram a situação caótica pela qual a nação passava, ainda assim vemos que a corrupção é um cancro difícil de ser tolhido. Muito dinheiro se esvai pelo ralo nos municípios, estados e nação. É desconcertante saber que muito do que pagamos em impostos serve para oferecer mordomias aos ratos que correm pelos corredores dos centros de poder.

            Na área esportiva, o viés não é diferente. Paira sobre a Loteria Federal, que deveria ser a maior patrocinadora dos atletas do Brasil, denúncias de irregularidades aterradoras. Por exemplo, a discussão na qual a Mega-sena pode ser forjada, principalmente a que oferece o maior prêmio do mundo no réveillon. Assim, vamos a passos lentos rumo ao progresso, inclusive nos esportes.

            Mês passado, tive a grata surpresa de conhecer mais de perto, em Cruzeiro, um vencedor. Talvez poucos saibam que a nossa cidade abriga o segundo melhor karateka do mundo: Alison Batista, faixa preta do quarto Dan (o máximo é o décimo). Proprietário da Academia M.A. Fight Top Team, na Lagoa Dourada, sagrou-se vice-campeão mundial na Tailândia no mês de agosto. Ele foi chegou à final e parou nas mãos de um japonês. Aliás, os japoneses nunca perderam uma final no karatê, ao que me consta.

            Conseguiu chegar à Tailândia por merecimento e basicamente com recursos próprios. A cidade e Estado não o ajudaram, embora ele tenha escolhido Cruzeiro para transmitir seus ensinamentos. É um desperdício ver tamanho talento sem o seu reconhecimento devido. Em qualquer país honesto e justo, ele estaria no topo e seria um grande exemplo para crianças e jovens em maiores proporções.

            Humildemente, tenho Alison como o meu sensei de karatê. E posso dizer que minha vida começou a mudar para melhor. Com palavras simples e técnica apurada, consegue nos ater aos exercícios físicos e mentais da maior importância, levando-nos a acreditar que grandes edifícios começam a ser construídos com pequenos tijolos; e que pequenos passos são o início de grandes caminhadas.

            Reinicio no karatê após 17 anos. Hoje, vejo que o horizonte se abriu para mim. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, escreveu Fernando Pessoa. Vou investir na minha saúde, graças ao vice-campeão mundial que me abriu as portas.

            Se a corrupção não assolasse nosso povo e o dinheiro pago em impostos fosse direcionado para o que é devido, imagine como a sociedade seria melhor. O quanto o professor Alison poderia fazer em prol de cidadãos de todas as idades com seus ensinamentos. Ele não é apenas o vice-campeão mundial dos tatames; é campeão mundial em dedicação e amor ao esporte. É uma pena que nosso país só valorize políticos corruptos e não se apegue aos que realmente podem fazer algo de bom. Mas há a esperança que isso pode mudar. Precisa mudar.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: