No país dos hermanos argentinos

23 nov

No último feriado, visitei a Argentina, precisamente a cidade de Buenos Aires. Notei diferenças gritantes entre o país dos hermanos e o nosso. Apesar de sermos muito mais ricos, a organização por lá é muito mais evidente. Na capital, as avenidas são largas, limpas e o asfalto é impecável. Até existe favela, mas, na maioria das vezes, os moradores são estrangeiros, como peruanos e bolivianos, em sua maioria.

Não há muito senso de humor na terra de Maradona, que é um rei para eles. Sem muito diálogo, fomos atendidos da forma mais básica possível e pudemos contar nos dedos os argentinos que se mostraram simpáticos. Em supermercados e farmácias, os seguranças chegavam até a andar atrás da gente.

O patriotismo é evidente. Muitas casas e empresas têm a bandeira do país hasteada. A população vive em constante clima de devoção ao país. Ainda mais à seleção de futebol, que não vive um bom momento. Nesse período de visita, o time de Messi jogou contra a Colômbia e, de virada, venceu a partida por 2 a 1. Parecia-me que a cidade inteira gritava eufórica pela vitória.

A nossa moeda vale mais que o dobro da deles e o dólar, cinco vezes mais. Em primeiro momento, nos assusta o fato de um jantar para dois custar 150 Pesos, mas a conversão para Real nos deixa mais tranquilos. Lembrei-me daquela época em que os preços dos produtos e serviços no Brasil tinham um monte de zeros. Uma jaqueta lá custava mais de AR$ 1000,00. Uma garrafa de água, AR$ 10,00.

Outra curiosidade é que eles não costumam enterrar seus mortos. No Cemitério da Recoleta, no qual estão os restos mortais de Eva Perón, ex-primeira-dama que exerceu grande influência nos argentinos, tema do filme Evita, cuja protagonista foi Madonna, não há túmulos, mas mausoléus magníficos. Anda-se pelas ruas do cemitério e notam-se os caixões em prateleiras, à mostra para quem quiser vê-los. Não há odor, já que as urnas funerárias são reforçadas e bem lacradas.

As ruas e avenidas de Buenos Aires são decoradas com imensos jacarandás roxos. As árvores floridas dão o tom aos monumentos representativos da história do país. A paisagem natural culminada com a criação do homem leva a perfeição aos nossos olhos.

Há muitas churrascarias e cafés. Nas primeiras, são apresentadas as consideradas melhores carnes do mundo. Já nos cafés, os argentinos procuram o descanso. Nem o garçom os incomoda e podem ficar o tempo que for, lendo jornal, acessando a internet, olhando para o céu… é costume deles ficar assim.

Gostei muito do país. Povo bonito, que só faltava ser simpático. A guia turística, argentina é claro, chegou a dizer que nós, os turistas brasileiros, éramos bichos verdes que chegam e destroem o país. Entendo que o brasileiro, se comparado aos moldes dos países de padrão europeu, não é muito discreto, mas a guia exagerou.

Apesar de tudo, vale à pena conhecer o país dos hermanos e notar as diferenças culturais. Tudo serve de aprendizado. Só evite as Aerolíneas Argentinas, que só tem charretes voadoras.

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