Educação de qualidade? – Por Ricardo Abissi (Aluno de Comunicação Social – Fatea/Lorena-SP)

23 out

De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal Brasileira, a educação é direito de todos e dever do Estado. O artigo 206, no inciso VII, define que ela deve ter garantia de padrão de qualidade. Porém, quando se fala em educação pública no Brasil nos deparamos com problemas de material escolar, salas superlotadas, professores desmotivados e, principalmente, falta de estrutura nas escolas.

Essa estrutura a qual me refiro são materiais com qualidade, necessários para um ambiente agradável nas salas de aula, como cortina, ventilador, mesa e cadeira, entre outros. Falta qualidade também no material escolar, isso quando não falta o material.

No que diz respeito aos professores, a falta de motivação é, evidentemente, por conta do baixo salário, já que o piso salarial dos educadores é de R$ 1.187,08, enquanto um deputado (às vezes até semi-analfabeto) recebe por mês 26,7 mil. Na iniciativa privada também há pisos salariais bem mais interessantes.

Outro problema no setor educacional é o grande número de alunos nas salas de aula, que prejudica a atenção dos estudantes. De acordo com uma organização internacional, o Brasil é o país com mais alunos por professor em uma relação de 38 países, com 25 alunos nas séries iniciais e 30 nas finais.

Devido ao baixo investimento em educação, os resultados de hoje são considerados, no mínimo, preocupantes. Segundo dados do IBGE, a taxa de analfabetismo das pessoas com mais de 15 anos no país é de 14,1 milhões. Em relação ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2010, na lista das cem melhores instituições de ensino participantes, somente 13 são escolas públicas.

A tendência é não ter mudança significativa nesses números. O investimento público em educação no ano passado foi de apenas 4,7% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). A recomendação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por exemplo, é que o Brasil aplique 8% do PIB em educação. Ou seja, o país aplica em educação pouco mais que a metade do que é recomendado pela Unicef.

Investir nas escolas públicas para que o aluno realmente possa aprender e ter estrutura nas salas de aula deveria ser prioridade do Estado, mas não há comprometimento por parte dos políticos.

A Educação para a Cidadania, por exemplo, continua sendo uma esperança de consolidação dos direitos e deveres do cidadão desde a “velha” Educação Moral e Cívica, passando pela OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e EPB (Estudo dos Problemas Brasileiros).

Não é interessante para as classes dominantes a melhora na educação. As pessoas sendo mais críticas e esclarecidas deixariam de ser massa de manobra e teriam argumentos para não eleger populistas e elitistas carismáticos. Para os políticos, é melhor não mexer no time que está ganhando!

 

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