Um cancro chamado corrupção

20 out

A presidente brasileira Dilma Rousseff, recentemente, em visita à Bulgária, afirmou que quer estreitar as relações entre os dois países. Porém, o fator que pode impedir, segundo a mandatária, o diálogo entre as nações é a corrupção… na Bulgária.

Como o ditado “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, Dilma, numa crise de amnésia, fez-se esquecer do que ocorre dentro da própria cozinha: o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo, uma nação em que, desde a década de 70, o “jeitinho brasileiro” participa de negociatas e gere a vida de muitos dos nossos.

Esse tal “jeitinho”, ou Lei de Gérson, é a proclamação da malandragem, que, principalmente no Rio de Janeiro, onde se perpetuou, é sinônimo de qualidade, de virtude do indivíduo que, a todo custo, consegue obter êxito em seus objetivos, mesmo que fira os padrões morais da sociedade.

A própria Dilma, numa crise profunda de hipocrisia, não enxergou que a grama do vizinho é mais verde. É verdade que a Bulgária é um dos países mais desorganizados da Europa, mas não se compara ao Brasil, que tinha tudo para dar certo pela sua vicissitude econômica e não aproveita para tornar-se uma das maiores potências mundiais devido ao cancro chamado corrupção.

Num país no qual José Sarney é uma das pessoas mais poderosas e, frequentemente, é acusada de abuso de poder, corrupção ativa, nepotismo, uso da máquina em benefício próprio, não merece o respeito internacional. O ex-presidente da República e atual gestor do Senado, ao usar o helicóptero da Polícia Militar do Maranhão para viajar até sua ilha particular, enquanto um acidentado em estado grave precisava de socorro imediato, afirmou que tudo não passou de “uma vitória da democracia”. Não podia ser diferente vindo de um “coronel” que entende a democracia como autobenefício.

Dilma esqueceu-se dos lobos que a cercam. Daqueles que transformam o sangue da nação em conquistas particulares e não são punidos com rigor por isso. Não há sanção para quem tem dinheiro, pois as artimanhas jurídicas são caminhos fáceis para os bons advogados.

Quando um país não consegue mais combater a corrupção por ela estar arraigada na sociedade, e todos os acontecimentos esdrúxulos do ponto de vista moral tornam-se corriqueiros, talvez nada mais possa ser feito; o povo, mesmo não concordando com seus corruptos, aceita calado os atentados morais e éticos.

Embora o próprio povo eleja esses representantes ineficientes, que almejam apenas o autobenefício, é salutar crer que a falta de educação não permite que o mesmo reflita sobre a escolha de seus candidatos. O Maranhão de Sarney, por exemplo, é o estado com a pior nota no Exame Nacional do Ensino Médio.

Assim, não sou otimista quando se comenta que o Brasil pode melhorar, já que os direitos por aqui não são iguais. Imaginar que, no futuro, o país pode desbancar grandes nações é utópico para mim. Para o país melhorar, há de se “fazer” outro Brasil, desde sua colonização. E que venham para cá não piratas, mercadores de escravos, ladrões e sobras da metrópole, mas pessoas de bem que queiram fundar uma terra dos sonhos, do ponto de vista moral, ético e aceitável. Utopia pura!

2 Respostas to “Um cancro chamado corrupção”

  1. Larissa Alves outubro 21, 2011 às 11:39 pm #

    Concordo com o autor do artigo, o Miguel. A Corrupção é prática comum, em todos os níveis de governo. Desviam-se milhões de reais, que poderiam estar sendo usados para que todos os cidadãos tivessem acesso a um serviço de saúde decente, uma educação de qualidade e tivesse seus direitos garantidos e respeitados, sem que prevalecesse a vantagem para os mais ricos, e principalmente, para os políticos corruptos que existem no Brasil.

  2. Túlio Fortes outubro 22, 2011 às 12:01 am #

    Concordo com esse texto. A Dilma, do meu ponto de vista, não está fazendo nada, literalmente…
    Mas critica-la ,pois fomos nós mesmos que a colocamos no comando do Brasil.
    E no caso do Sarney, me explica: o que ele ainda ta fazendo lá?

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